domingo, 29 de junho de 2025

Missa do Vaqueiro emociona Petrolina e encerra ciclo junino com fé e cultura

               Neste domingo (29), Petrolina viveu uma manhã de profunda conexão com suas origens. Em meio ao som dos aboios, da sanfona e à poeira levantada pelas cavalgadas, a cidade celebrou uma das mais simbólicas manifestações de sua identidade cultural: a tradicional Missa do Vaqueiro, evento que há mais de 80 anos une fé, emoção e reverência ao povo do campo.

O evento, que marca o encerramento oficial do ciclo junino no município, consagrou o domingo como um dia de devoção e orgulho sertanejo. Desde o mês de abril, Petrolina foi palco de uma extensa programação festiva que movimentou não só a economia local, mas também os afetos e a valorização da cultura nordestina. E foi com a benção dos céus e a força da terra que a cidade deu seu adeus simbólico aos festejos juninos de 2025.

Logo nas primeiras horas da manhã, a cidade foi tomada por uma imagem que enche os olhos de emoção: centenas de vaqueiros e vaqueiras – jovens, adultos e idosos – montados em seus cavalos, com o gibão de couro no peito e o chapéu protegendo o rosto queimado de sol, tomaram as ruas de Petrolina em cortejo, renovando a tradição e reafirmando seus laços com a terra e a fé.

Ao lado da vaqueirama estavam o prefeito Simão Durando (UB), o vice-prefeito Ricardo Coelho e o ex-prefeito Miguel Coelho, todos reforçando a importância da valorização cultural e da memória do povo sertanejo. Após um café da manhã com forró pé de serra no Restaurante Popular, os vaqueiros se concentraram nas imediações do Estádio Paulo Coelho e de lá seguiram em cavalgada até a Orla da cidade.

A Missa do Vaqueiro aconteceu às margens do Rio São Francisco, símbolo da vida e da resistência sertaneja. A cerimônia foi presidida pelo padre José Guimarães e teve momentos de profunda espiritualidade. Entre rezas, cantos e lágrimas, o público acompanhou o Terço dos Homens da Cohab Massangano, as vozes dos aboiadores Edvaldo e Jocélio Vaqueiro, a emoção de Zezinho do Violão e a musicalidade do Quinteto Violado, que entoou clássicos como a Ave Maria Sertaneja e a Oração de São Francisco.

Comovido, o prefeito Simão Durando falou da importância da celebração para a cidade:

“Essa é uma das festas mais emocionantes da nossa cidade. A Missa do Vaqueiro celebra mais de oito décadas de tradição e representa a fé de um povo que nunca deixa de agradecer. É uma homenagem justa aos homens e mulheres do campo, que ajudaram a construir o que somos hoje. Encerramos com chave de ouro um ciclo junino de muito sucesso, com a bênção de Deus e a força da nossa cultura.”

A Missa do Vaqueiro vai além de uma manifestação religiosa. Ela é um ritual de pertencimento e um lembrete de que a força do sertanejo não está apenas na lida do campo, mas também no orgulho de preservar suas raízes. Moradores e turistas que acompanharam o cortejo e a missa, muitos emocionados, reconheceram no gesto dos vaqueiros um ato de resistência cultural.

Petrolina, mais uma vez, reafirmou sua vocação de cidade que sabe unir modernidade e tradição — e mostrou que o sertão não apenas tem futuro, como o constrói todos os dias sobre os pilares do trabalho, da fé e da cultura. 

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