terça-feira, 10 de outubro de 2017

Prefeituras de Alagoas começam a demitir com queda de receitas

        A Associação Municipalista de Alagoas – AMA reuniu em sua sede, em Maceió, sua diretoria e prefeitos para debater a crise que afeta os municípios brasileiros, particularmente os do Nordeste. Para os prefeitos, um dos maiores vilões é o sub financiamento dos Programas federais, que hoje totalizam 390 em execução nos municípios alagoanos. Os gestores reclamam da baixa contra-partida do Governo Federal.

Um dos maiores exemplos vem da Educação. O Fundeb, Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica cresceu 61,79% nos últimos sete anos contra um aumento de 124,5% do Piso Nacional do Magistério. Com isso, a grande maioria dos municípios nordestinos gastam mais de 80% do Fundeb somente com salários. Ainda na área da educação, outro exemplo é o da merenda escolar e do transporte, aonde as prefeituras recebem do Governo Federal apenas R$ 0,36 e R$ 0,65 por aluno, respectivamente. Os baixos recursos, levam as prefeituras investirem recursos próprios para garantir os alunos nas escolas e uma boa alimentação.

De acordo com a AMA, as despesas dos municípios com os programas federais chegam a ser de até 200% a mais do que os repasses feitos pela União. Para muitos prefeitos presentes a reunião, os constantes cortes de recursos do Governo Federal levam os municípios a enxugarem a máquina, com a demissão de funcionários contratados, e racionalizar os recursos para poderem se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal.

Outro drama já a vista é quanto ao corte no orçamento federal de 2018 que, entre outros, prevê uma redução de 97% no orçamento da Assistência Social, inviabilizando todos os programas sociais e obrigando prefeitos a demitirem devido a falta de recursos. Outros cortes previstos são Turismo (69%), Esporte (65%), Segurança (54%), entre outras.

Segundo o presidente da AMA, Hugo Wanderley, a situação já é um caos e caso o orçamento 2018 do Governo Federal seja aprovado como está, a situação dos municípios vai virar um verdadeiro holocausto no País.  “A situação é de extrema calamidade e está impossível de arcar com os compromissos mínimos de administração”, disse Wanderley.