O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou nesta sexta-feira, 8, ao
Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão do empresário Joesley Batista,
um dos donos do Grupo J&F, segundo apurou o Estado. O pedido ainda
precisa ser analisado pelo ministro Edson Fachin, relator do caso na Corte. A
decisão pode sair ainda hoje.
Além
de Joesley, o procurador-geral pediu que o Supremo autorize a prisão de Ricardo
Saud, diretor do J&F, e do ex-procurador Marcello Miller.
Os
pedidos foram motivados pelo conteúdo de uma gravação entregue
pela própria defesa do Grupo J&F, na qual Saud e Joesley falam sobre a
suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada.
O ex-procurador ainda fazia parte do Ministério Público quando começou a
conversar com os executivos, no fim de fevereiro. Ele pediu a saída da
instituição em fevereiro e foi exonerado, de fato, apenas em abril.
Na
segunda-feira, Janot abriu um procedimento
de revisão do acordo de delação dos executivos. Ele pediu a
revogação do benefício de imunidade penal concedido aos delatores. Segundo
interlocutores, Janot ficou irritado com a gravação que demonstrou que Joesley
e Saud omitiram informações ao fazer acordo com as autoridades.
A
prisão preventiva dos envolvidos já vinha sendo analisada por Janot nos últimos
dias.
Na
quinta-feira, os executivos prestaram
esclarecimentos à PGR, em Brasília, mas não convenceram. Eles
afirmaram que o ex-procurador Miller informou que já havia pedido exoneração do
Ministério Público quando os procurou. Também tentaram minimizar o conteúdo da
gravação, qualificando-a como “uma conversa de bêbados”.
Nesta
sexta foi o dia de Miller prestar depoimento. A avaliação na instituição é de
que os fatos narrados foram graves e indicam a prática de crimes. No
caso de Miller, há auxiliares de Janot que avaliam que ele atuou na J&F com
uso de informações privilegiadas que possuía por ter integrado a equipe da Lava
Jato. Com isso, pode ter incorrido nos crimes de obstrução da Justiça e
exploração de prestígio. Miller integrou o grupo de trabalho que auxilia Janot
nos trabalhos da Lava Jato perante o STF.
Já
no caso dos delatores da J&F, a avaliação na Procuradoria é de que, pelo
áudio, fica claro que os executivos tentaram omitir informações e escolher as
provas que levariam ao conhecimento do Ministério Público.
Por
meio de sua assessoria, o Grupo J&F informou nesta sexta que desconhece
qualquer informação sobre o pedido de prisão de Joesley e Saud.
Após depoimento
que durou nove horas do ex-procurador da República Marcelo
Miller à Procuradoria Regional da República da 2.ª Região, no Rio, nesta sexta,
seu advogado, André Perecmanis, afirmou que o pedido de prisão de seu cliente
“causa espécie e indignação”. Mas ressaltou que ainda não havia sido informado
oficialmente sobre o pedido: “Soube pela imprensa”, disse, ao sair do prédio do
Ministério Público Federal, já na madrugada deste sábado, 9.
Miller
tem dito que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa e
que está disposição das autoridades.
A
Procuradoria-Geral da República afirmou que Janot “jamais” se encontrou com
Joesley e “não recebeu Marcelo Miller na condição de advogado do Grupo
J&F”. “As tratativas efetivas para celebração de acordo de colaboração
premiada com os advogados dos executivos do Grupo J&F se deram somente no
fim de março, após a gravação em questão”, disse a PGR.
