"Isso
não é uma inauguração"! Com essa frase as atrizes e os atores encerraram a
performance (foto acima) - trecho de Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo
Neto, de 1955) - que iniciou o abrIR -
Primeiro Ato. O movimento, que aconteceu na sexta-feira (14), foi
idealizado por integrantes da Sociedade Teatral de Arcoverde (Sotear) e outros
representantes do movimento cultural do município, com o objetivo de que o
teatro municipal de Arcoverde seja finalmente concluído e entregue - de fato -
aos artistas arcoverdenses.
A
performance inicial contou com integrantes do Teatro de Retalhos, da Tropa do
Balacobaco, do grupo de teatro Pé de Vento e de artistas independentes. Cada um
dos 16 atores usou figurino próprio, utilizado em espetáculos dos seus grupos e
solos. Ao final da performance, os grupos distribuíram pão e vinho entre os
presentes.
Na
sequência houve apresentações do rapper Laranjão, do Sertão Maracatu, do Afoxé
Tambores de Oxalá e do Boi Milagroso. Também aconteceu uma leitura dramatizada
- Poema com Benedita - com Gabriel Cavalcanti, um dueto musical com Tocha
Ribeiro e Carol Viana e uma performance musical com Macvanny Oliveira.
Dezenas
de pessoas estiveram presentes durante o abrIR. O teatro, como já é sabido por
todos, não está pronto. Por isso, a falta de acústica prejudicou - e muito - a
beleza e a qualidade das apresentações e performances. Um 'barulho'
desconfortável deu lugar ao belo som que foi produzido naquele momento pelos
artistas. Representantes do governo municipal e da secretaria de Cultura e
Comunicação também estiveram presentes durante o ato.
Falta
muito para a conclusão - e inauguração - do teatro municipal de Arcoverde. O
palco, o teto, o piso, as coxias, o mezanino, os camarins, a sala de ensaio, os
banheiros... NADA na estrutura está pronto.
A nossa equipe teve acesso ao espaço onde devem ser construídos os camarins e constatou dezenas de folhas de espuma acústica que não servem mais para uso, já que estão mofadas e virando pó, emplilhadas há vários anos. Portas largas de madeira pura, no chão - com a madeira fofa - também não servem mais para uso. Vasos sanitários que nunca foram assentados no lugar, quebrados, entre tantos outros materiais que estavam lá, prontos para serem utilizados, mas que nunca saíram das caixas.
A nossa equipe teve acesso ao espaço onde devem ser construídos os camarins e constatou dezenas de folhas de espuma acústica que não servem mais para uso, já que estão mofadas e virando pó, emplilhadas há vários anos. Portas largas de madeira pura, no chão - com a madeira fofa - também não servem mais para uso. Vasos sanitários que nunca foram assentados no lugar, quebrados, entre tantos outros materiais que estavam lá, prontos para serem utilizados, mas que nunca saíram das caixas.
Saímos
de lá com um sentimento: o movimento cultural de Arcoverde deve - e já começou
- mostrar e unificar a sua força a partir de agora. Afinal, aquele espaço foi
pensado e erguido para os artistas de Arcoverde que seguem numa longa espera,
contando, neste ano de 2017, três décadas.
Reação -
Em seu perfil no Instagram, a Tropa do Balacobaco postou a
foto abaixo com uma mensagem de esclarecimento sobre a posição do movimento
cultural de Arcoverde quanto ao descaso (30 anos de espera) com o teatro
municipal. "Lutamos crentes que ainda a arte pode salvar (...) Nunca
descansamos, nossa maior arma é nossa arte", diz um trecho. Confira a
íntegra do texto:
"Neste
final de semana, o movimento cultural da cidade Arcoverde, reafirmou seu
posicionamento diante do descaso com o nosso Teatro Municipal, foram/são 30
anos de uma luta incessante... Somos tantos, somos indivíduos, somos cidadãos
que votam e acreditam na democracia e responsabilidade de nossos votos!
Somos
artistas Brasileir@s e lutamos contra o golpe diário do poder governamental
seja ele local, estadual, ou nacional.
Lutamos
crentes que ainda a arte pode salvar. Foram dois dias de demonstração pública
da consciência politizada de cada um que se fez presente. Hoje mais fortes que
ontem, estamos nós dando um passo por vez e gritando aos quatro ventos que
nunca descansamos, nossa maior arma é nossa arte. Gratidão a todos e todas
pelos 14 e 15 de Julho de 2017.
Gratidão
pela arte diária de vocês. Estamos junt@s. SOTEAR dessa década, acreditamos
nessa história, nesse nome e nessa força". Do site De 1ª Categoria.
