Alvo
de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e de
ação penal travada na Justiça, a compra do jatinho Cessna Citation 560, que foi
utilizado pelo ex-governador Eduardo Campos na campanha presidencial de 2014,
segue envolta de uma obscura suspeita. Na edição da revista Veja, do último fim
de semana, uma delação traz à tona fatos novos que podem dar novos rumos ao
caso.
Em
colaboração premiada, o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo, teria
revelado que o dono da aeronave seria o ex-presidente da Companhia Pernambucana
de Gás (Copergás), Aldo Guedes, que pediu afastamento do cargo após ser um dos
focos da Operação Politeia, braço da Lava Jato, em 2015.
Apontado
como o dono oficial do jatinho, João Carlos Lyra relata, em depoimento dado ao
Ministério Público Federal (MPF), que, na verdade, a aeronave tinha Aldo Guedes
como sócio oculto e que a maior parte do dinheiro que financiou a compra saiu
dos cofres de empresas de fachada em um esquema de lavagem de dinheiro.
O
ex-governador teria, inclusive, se envolvido na escolha do modelo a ser
comprado, mas toda a negociação deveria ficar por debaixo dos panos até o fim
da campanha presidencial. O acordo era que o PSB Nacional bancaria oficialmente
um aluguel do jatinho durante a corrida às urnas de 2014 para evitar
especulações da opinião pública. Somente após o pleito seria constituída uma
empresa operadora de táxi aéreo para administrar o avião.
Segundo
a delação premiada, Aldo Guedes é apontado como homem de confiança e operador
do ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto de 2014, na queda do jatinho
Cessna Citation no litoral de Santos, em São Paulo. Ele seria o responsável por
coletar os recursos para o ex-presidente nacional do PSB e o seu partido.
O
dinheiro era repassado por meio de contas no exterior e serviços fantasmas a
firmas de advocacia. O colaborador seria um intermediário do esquema. Os
contatos entre Lyra e Guedes eram feitos por telefones pré-pagos cadastrados em
nomes de laranjas para evitar rastreamento e ocultar as operações. A maioria
dos repasses, muitas vezes em malas de dinheiro, segundo a delação, teria sido
feita, inclusive, na garagem do prédio residencial de Guedes.
A compra da aeronave que transportou Eduardo Campos na campanha presidencial entrou na mira da Polícia Federal por meio da Operação Turbulência. A investigação apurava um esquema que utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de desvio de recursos públicos. A compra do jatinho teria sido intermediada por meio desta operação.
A compra da aeronave que transportou Eduardo Campos na campanha presidencial entrou na mira da Polícia Federal por meio da Operação Turbulência. A investigação apurava um esquema que utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro proveniente de desvio de recursos públicos. A compra do jatinho teria sido intermediada por meio desta operação.
Atualmente,
a ação penal referente à acusação de formação de organização criminosa foi
trancada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no ano passado. A
iniciativa foi alvo de recurso do Ministério Público Federal (MPF), mas o pedido
segue travado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As
acusações feitas por João Carlos Lyra foram negadas pelo advogado Ademar
Rigueira Neto, que representa Aldo Guedes. Procurado pela Folha, o PSB
Estadual afirmou que o PSB Nacional é que se manifesta sobre o tema. Por sua
vez, o diretório nacional disse que não comenta acusações feitas por meio de
delações premiadas. Da Folhape.
