Após meses descartando qualquer intenção de
disputar o Palácio dos Bandeirantes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
sinalizou a aliados que poderá, sim, concorrer ao governo de São Paulo. A
decisão, segundo interlocutores, teria sido motivada por um apelo direto do
presidente, ao qual Haddad afirmou que jamais poderia recusar.
A eventual saída de Haddad da Esplanada deve
ocorrer até o fim de março ou início de abril, abrindo caminho para que ele
inicie a construção de sua pré-campanha. Internamente, o ministro é visto como
herdeiro político de Lula e nome natural do Partido dos Trabalhadores para a
sucessão presidencial em 2030.
Paralelamente, Lula também intensifica conversas
com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), buscando fechar os últimos detalhes
para que ele dispute o governo de Minas Gerais. A consolidação dessas duas
candidaturas permitiria ao presidente montar palanques robustos em São Paulo e
Minas — estados decisivos em qualquer eleição nacional.
Ao que tudo indica, o vice-presidente Geraldo
Alckmin deve permanecer como companheiro de chapa de Lula em eventual tentativa
de reeleição ao Palácio do Planalto.
O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas
pesquisas de intenção de voto acendeu o alerta no governo. Integrantes do
Planalto avaliam que houve erro estratégico ao não confrontar de forma mais
incisiva o parlamentar, especialmente diante das acusações relacionadas ao caso
das “rachadinhas”.
No campo adversário, o governador de São Paulo, Tarcísio
de Freitas (Republicanos), enfrenta turbulências após divergências públicas com
o secretário de Governo, Gilberto Kassab. A avaliação no PT é de que o momento
político pode favorecer a entrada de Haddad na disputa estadual.
Outro movimento relevante envolve a ministra do
Meio Ambiente, Marina Silva. Ela deve deixar a Rede Sustentabilidade para se
filiar ao PT e disputar uma vaga no Senado. A definição sobre a segunda
candidatura ao Senado na chapa ainda permanece em aberto.
Com esse arranjo, Lula busca consolidar alianças estratégicas e fortalecer sua posição para os próximos embates eleitorais, redesenhando o mapa político nacional com foco nos estados mais decisivos do país.
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