quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Bolsonaro defende fim da Justiça do Trabalho e aumento da idade mínima para aposentadorias


           Na primeira entrevista depois de sua posse, dada ao SBT, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que poderá acabar com a Justiça do Trabalho. "Qual país que tem [Justiça do Trabalho]? Já temos a Justiça normal", afirmou. De acordo com Bolsonaro, o país tem mais ações trabalhistas que todo o mundo. Ele voltou a dizer que há no Brasil um excesso de proteção ao trabalhador. Também comparou a relação entre patrão e empregado ao casamento: "É como um casal, se tem excesso de ciúmes não dá certo".

O presidente afirmou que não irá acabar com o CLT (Código de Leis Trabalhistas), mas que, assim como foi feito com a reforma trabalhista, irá atuar para flexibilizar os contratos de trabalho. Ele disse que no país há "muitos direitos e pouco emprego".

"Quando eu disse que era difícil ser patrão no Brasil, os sindicatos disseram que difícil é ser empregado. A eles, eu responderia que mais difícil é ser desempregado", afirmou.

Bolsonaro voltou a comparar o Brasil com os Estados Unidos em relação às leis trabalhistas. "Olha lá nos EUA, eles não têm direito do trabalho e têm emprego", disse.

Durante a entrevista, o presidente ainda falou sobre a idade mínima para aposentadoria. Segundo Bolsonaro, o seu governo deverá aproveitar a reforma que já está na Câmara dos Deputados, concebida durante o governo de Michel Temer. "A boa reforma é aquela que passa na Câmara e no Senado, e não a que está na minha cabeça ou da equipe econômica", afirmou.

Bolsonaro disse que pretende enviar para o Congresso uma Reforma da Previdência com 57 anos de idade mínima para mulher se aposentar e 62 anos para os homens, mas não detalhou como seria essa mudança.

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