domingo, 23 de setembro de 2018

Polarização nas eleições impõe desafio a Ciro, Alckmin e Marina


            A duas semanas da votação em primeiro turno das eleições 2018, a campanha presidencial segue uma tendência que representa um desafio às candidaturas que podem despontar como uma terceira via à polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). A análise das pesquisas mostra que, se quiserem se cacifar como uma terceira via, os candidatos situados no bloco intermediário das intenções de voto – Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) – terão 14 dias para reverter o movimento atual que está sendo impulsionado pela coesão do eleitorado antipetista em torno de Bolsonaro e do lulista/petista em torno de Haddad.  

Os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Este cenário tem moldado as estratégias das campanhas que ainda lutam para chegar ao segundo turno. O foco da campanha de Ciro será insistir em apresentá-lo como um nome de terceira via, capaz de quebrar aquilo que o próprio candidato tem chamado de “polarização odienta”. 

Os marqueteiros de Alckmin não indicam que vão alterar a estratégia agressiva em busca do voto útil. Produziram comerciais que apelam para o medo de uma polarização PSL-PT e pregam que os demais postulantes do campo da centro-direita “não são competitivos”. 

Após perder uma camada significativa de intenções de voto com o crescimento de Haddad nas pesquisas, Marina mira no eleitorado negro, pobre, de baixa escolaridade e, principalmente, nas mulheres – sua principal base de votos, mas que encolheu nas pesquisas mais recentes. Nas últimas semanas, a candidata da Rede também adotou um tom mais propositivo. 

Até o momento, a série de quatro pesquisas Ibope/Estado/TV Globo indica dificuldades para a viabilização de uma terceira via. Os candidatos do PSL e do PT são os dois únicos que ganharam terreno em todos os levantamentos. Os demais oscilaram ou caíram. 

Há uma quantidade razoável de eleitores “volúveis”, que admitem probabilidade “alta” ou “muito alta” de mudar de voto para evitar a vitória de um candidato do qual não gostam. Os volúveis são um terço do total.  

Mas esse cálculo político não alteraria a opção daqueles que veem seu candidato como favorito. Nove em cada dez eleitores de Bolsonaro acham que ele vai vencer, segundo o Ibope. E seis em cada dez apoiadores de Haddad consideram que o petista é quem subirá a rampa do Palácio do Planalto em 2019.Do Estadão.

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