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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Crise política no Paraguai: presidente Santiago Peña sofre impeachment e é preso

Destituído pelo Senado nesta sexta-feira (6), o ex-presidente é alvo de uma ordem de prisão expedida pelo Ministério Público no âmbito das investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.

O Paraguai vive uma das maiores crises políticas e financeiras de sua história recente. O presidente Santiago Peña foi destituído do cargo nesta sexta-feira (6), após um processo de impeachment concluído pelo Senado, e, horas depois, teve a prisão domiciliar determinada pelo Ministério Público do país.

A decisão de afastamento foi anunciada pelo presidente do Senado, Basilio Núñez, após uma votação que terminou com 44 votos favoráveis à destituição e uma ausência, em um plenário de 45 integrantes.

“De acordo com o resultado da votação, declara-se culpado o acusado Santiago Peña Palacios por mau desempenho de suas funções e, consequentemente, ele é destituído de pleno direito do cargo de presidente da República do Paraguai”, declarou Núñez.

A queda de Peña está diretamente relacionada ao escândalo envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras paraguaias, que sofreu intervenção do Banco Central na terça-feira (3), após problemas de solvência. A crise atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso aos próprios depósitos.

Após a destituição, o Ministério Público paraguaio determinou a prisão de Peña no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à crise bancária.

A ordem foi assinada por quatro integrantes da equipe de investigação e encaminhada à Polícia Nacional para cumprimento. Segundo informações da imprensa paraguaia e da Associated Press, o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar.

As investigações também consideram os vínculos empresariais anteriores de Peña com o grupo econômico ligado ao Ueno Bank. O ex-presidente declarou ter sido acionista da holding relacionada à instituição financeira, mas afirma ter vendido sua participação em 2025.

Entre as suspeitas investigadas estão possíveis conflitos de interesses, movimentações de recursos públicos e irregularidades na condução da crise bancária. Peña nega irregularidades.

Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai e deverá concluir o mandato presidencial, previsto para agosto de 2028.

O episódio provocou manifestações populares, questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e uma crise institucional que ultrapassou os limites do setor bancário. 

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