Destituído
pelo Senado nesta sexta-feira (6), o ex-presidente é alvo de uma ordem de
prisão expedida pelo Ministério Público no âmbito das investigações sobre o
escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.
O
Paraguai vive uma das maiores crises políticas e financeiras de sua história
recente. O presidente Santiago Peña foi destituído do cargo nesta sexta-feira
(6), após um processo de impeachment concluído pelo Senado, e, horas depois,
teve a prisão domiciliar determinada pelo Ministério Público do país.
A
decisão de afastamento foi anunciada pelo presidente do Senado, Basilio Núñez,
após uma votação que terminou com 44 votos favoráveis à destituição e uma
ausência, em um plenário de 45 integrantes.
“De acordo com o resultado da votação, declara-se culpado
o acusado Santiago Peña Palacios por mau desempenho de suas funções e,
consequentemente, ele é destituído de pleno direito do cargo de presidente da
República do Paraguai”,
declarou Núñez.
A
queda de Peña está diretamente relacionada ao escândalo envolvendo o Ueno Bank,
uma das principais instituições financeiras paraguaias, que sofreu intervenção
do Banco Central na terça-feira (3), após problemas de solvência. A crise
atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem
acesso aos próprios depósitos.
Após
a destituição, o Ministério Público paraguaio determinou a prisão de Peña no
âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lesão de confiança e outros
possíveis crimes relacionados à crise bancária.
A
ordem foi assinada por quatro integrantes da equipe de investigação e
encaminhada à Polícia Nacional para cumprimento. Segundo informações da
imprensa paraguaia e da Associated Press, o ex-presidente foi colocado em
prisão domiciliar.
As
investigações também consideram os vínculos empresariais anteriores de Peña com
o grupo econômico ligado ao Ueno Bank. O ex-presidente declarou ter sido
acionista da holding relacionada à instituição financeira, mas afirma ter
vendido sua participação em 2025.
Entre
as suspeitas investigadas estão possíveis conflitos de interesses,
movimentações de recursos públicos e irregularidades na condução da crise
bancária. Peña nega irregularidades.
Com
a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai e
deverá concluir o mandato presidencial, previsto para agosto de 2028.
O episódio provocou manifestações populares, questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e uma crise institucional que ultrapassou os limites do setor bancário.
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