quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PM é acusada de obrigar três pessoas presas em Piracicaba (SP) a usarem camisetas do PT

Órgão acionou a Corregedoria da PM para apurar abordagem em Piracicaba que terminou com dois homens presos e um adolescente apreendido; mãe do jovem afirma que ele não vestia a camiseta exibida nas imagens.

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo pediu o afastamento imediato dos policiais militares envolvidos em uma ocorrência em Piracicaba, no interior paulista, após denúncias de que dois homens e um adolescente teriam sido coagidos a vestir camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O caso, que terminou com a prisão em flagrante de dois adultos e a apreensão do adolescente, agora está sob questionamento institucional. A Ouvidoria encaminhou ofício à Corregedoria da Polícia Militar solicitando informações sobre os procedimentos adotados pelos agentes e cobrando providências diante da gravidade dos relatos.

A suspeita de que pessoas abordadas pela polícia tenham sido obrigadas a usar roupas associadas a uma corrente política levanta questionamentos que vão além da ocorrência criminal: envolve o respeito aos direitos individuais, a legalidade da atuação policial e a necessária neutralidade das forças de segurança.

Em entrevista ao Metrópoles, a mãe do adolescente contestou a versão sugerida pelas imagens divulgadas e afirmou que o filho vestia outra roupa no momento da abordagem.

“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não estava com blusa de Lula...Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, disse ela.

O depoimento reforça a necessidade de esclarecer como as camisetas apareceram na ocorrência, quem determinou seu uso e em quais circunstâncias os envolvidos foram apresentados nas imagens.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (22), a Ouvidoria repudiou a conduta atribuída aos policiais e classificou práticas dessa natureza como “absolutamente incompatíveis com os princípios constitucionais que regem a atividade policial”, além de apontar afronta ao Estado Democrático de Direito.

O posicionamento, assinado pelo ouvidor Mauro Caseri, destacou que a polícia não pode ser utilizada para promover convicções pessoais, perseguir cidadãos por suas opiniões políticas ou servir a disputas eleitorais e ideológicas.

O órgão defendeu que a atuação policial seja orientada exclusivamente pela lei e pelo dever de servir à sociedade, independentemente de preferências partidárias. 

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