sábado, 31 de outubro de 2026

Julgamento de Lula Cabral por suposto desvio de R$ 92,5 milhões do CaboPrev está marcado para 11 de novembro

             O julgamento da ação penal que tem como réu o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PDT), previsto para o dia 11 de novembro, volta a colocar em evidência um dos episódios mais controversos da gestão dos recursos previdenciários do município: a investigação sobre supostas irregularidades em aplicações do CaboPrev, que teriam provocado um prejuízo de R$ 92,5 milhões.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o ex-diretor-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Cabo de Santo Agostinho, Albérico Rodrigues, trouxe novos relatos sobre o caso e denunciou o que classifica como perseguição política e ilegalidade em sua exoneração, ocorrida em 10 de março de 2026.

À frente da autarquia entre janeiro de 2019 e março de 2026, Rodrigues afirmou que foi reconduzido ao cargo em 2024 pelo Conselho Deliberativo. Segundo ele, os conflitos com a gestão municipal se intensificaram após a reeleição de Lula Cabral.

Albérico Rodrigues afirma que, ainda como integrante do Conselho Deliberativo e do Comitê de Investimentos, testemunhou, em 2017, o que considera um dos episódios mais graves envolvendo uma previdência municipal.

De acordo com seu relato, aproximadamente 47% do patrimônio do instituto, o equivalente a cerca de R$ 92 milhões, teriam sido aplicados em fundos considerados irregulares ou sem adequada segurança financeira.

“Eu disse não a essa operação ilícita. Prestei depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público. Dentre os acusados está o atual prefeito Lula Cabral”, declarou.

Em 2018, Lula Cabral foi preso durante a Operação Abismo, da Polícia Federal, sob suspeita de envolvimento no desvio de recursos previdenciários. Ele deixou a prisão em janeiro de 2019, após a concessão de habeas corpus pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli.

Apesar da liberdade, o prefeito permaneceu afastado da função naquele período, quando o município foi administrado pelo então vice-prefeito Keko do Armazém.

Lula Cabral responde à ação penal relacionada ao caso. As acusações e responsabilidades individuais deverão ser examinadas no processo, observada a presunção de inocência.

Com julgamento marcado para 11 de novembro, a ação penal deverá concentrar novamente as atenções sobre as aplicações realizadas em 2017, a destinação dos recursos e a eventual responsabilidade dos acusados. 

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