quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Banco Master tentou alinhar publicações de Pablo Marçal sobre o banco, aponta reportagem

Áudio atribuído à então diretora de marketing Ana Matos revela pedido para que influenciador combinasse previamente conteúdos; estratégia envolvia campanha com cerca de 15 influenciadores e abordagens distintas para diferentes públicos.

Uma estratégia de comunicação do Banco Master para influenciar o debate público sobre sua situação financeira e a negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) incluiu conversas com o influenciador e coach Pablo Marçal. Segundo apuração do ICL Notícias, a então diretora de marketing da instituição, Ana Matos, pediu ao influenciador que alinhasse previamente com ela as publicações que faria nas redes sociais. Marçal virou o guru político do candidato Flávio Bolsonaro na reta final de campanha.

O pedido aparece em um áudio enviado em 5 de abril de 2025 ao então controlador do Master, Daniel Vorcaro. Na gravação, a executiva relata uma conversa com Marçal e afirma que os dois haviam combinado o envio de materiais para embasar os conteúdos.

“Ele foi receptivo, entendeu meu ponto”, relatou Ana Matos, segundo o conteúdo divulgado. A diretora afirmou que encaminharia, no dia seguinte, informações sobre concentração bancária e reforçaria a solicitação ao influenciador. “Vamos ver se funciona”, acrescentou.

A movimentação ocorria em um momento delicado para o banco, que buscava viabilizar a venda de 58% de suas ações ao BRB e enfrentava questionamentos sobre sua condição financeira.

De acordo com a apuração, Daniel Vorcaro demonstrava preocupação com a atuação de Marçal nas redes sociais e cobrava atualizações sobre as conversas com o influenciador.

Às 19h33 daquele dia, o banqueiro escreveu à diretora que precisava que ela entrasse “no circuito” de maneira delicada. Pouco mais de uma hora depois, voltou a questionar: “Falou com Pablo? Soltou mais um”.

Mais tarde, às 23h43, Vorcaro indicou o tema que gostaria de ver explorado nas publicações: “Tenta fazer ele falar de concentração bancária e não especificamente do banco”.

A orientação apontava para uma abordagem que deslocasse o foco das dificuldades enfrentadas pelo Master para uma discussão mais ampla sobre a estrutura do sistema financeiro brasileiro. Nesse enquadramento, o debate sobre concentração bancária poderia servir como argumento para apresentar a operação envolvendo o BRB sob outra perspectiva.

As conversas não se limitavam a Marçal. Segundo a reportagem, a equipe de marketing discutia uma campanha com aproximadamente 15 influenciadores de grande engajamento, inicialmente contratados por três meses, com possibilidade de renovação.

A estratégia previa adaptar os argumentos conforme o público alcançado. Um dos roteiros, direcionado à direita, criticava a postura do PT nas negociações com o BRB. Para a esquerda, a proposta defendia que operações financeiras não deveriam ser consideradas suspeitas por princípio. Já o conteúdo voltado ao mercado destacava possíveis benefícios econômicos da transação. 

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