Áudio
atribuído à então diretora de marketing Ana Matos revela pedido para que
influenciador combinasse previamente conteúdos; estratégia envolvia campanha
com cerca de 15 influenciadores e abordagens distintas para diferentes
públicos.
Uma
estratégia de comunicação do Banco Master para influenciar o debate público
sobre sua situação financeira e a negociação envolvendo o Banco de Brasília
(BRB) incluiu conversas com o influenciador e coach Pablo Marçal. Segundo
apuração do ICL Notícias, a então diretora de marketing da instituição, Ana
Matos, pediu ao influenciador que alinhasse previamente com ela as publicações
que faria nas redes sociais. Marçal virou o guru político do candidato Flávio
Bolsonaro na reta final de campanha.
O
pedido aparece em um áudio enviado em 5 de abril de 2025 ao então controlador
do Master, Daniel Vorcaro. Na gravação, a executiva relata uma conversa com
Marçal e afirma que os dois haviam combinado o envio de materiais para embasar
os conteúdos.
“Ele
foi receptivo, entendeu meu ponto”, relatou Ana Matos, segundo o conteúdo
divulgado. A diretora afirmou que encaminharia, no dia seguinte, informações
sobre concentração bancária e reforçaria a solicitação ao influenciador. “Vamos
ver se funciona”, acrescentou.
A
movimentação ocorria em um momento delicado para o banco, que buscava
viabilizar a venda de 58% de suas ações ao BRB e enfrentava questionamentos
sobre sua condição financeira.
De
acordo com a apuração, Daniel Vorcaro demonstrava preocupação com a atuação de
Marçal nas redes sociais e cobrava atualizações sobre as conversas com o
influenciador.
Às
19h33 daquele dia, o banqueiro escreveu à diretora que precisava que ela
entrasse “no circuito” de maneira delicada. Pouco mais de uma hora depois,
voltou a questionar: “Falou com Pablo? Soltou mais um”.
Mais
tarde, às 23h43, Vorcaro indicou o tema que gostaria de ver explorado nas
publicações: “Tenta fazer ele falar de concentração bancária e não
especificamente do banco”.
A
orientação apontava para uma abordagem que deslocasse o foco das dificuldades
enfrentadas pelo Master para uma discussão mais ampla sobre a estrutura do
sistema financeiro brasileiro. Nesse enquadramento, o debate sobre concentração
bancária poderia servir como argumento para apresentar a operação envolvendo o
BRB sob outra perspectiva.
As
conversas não se limitavam a Marçal. Segundo a reportagem, a equipe de
marketing discutia uma campanha com aproximadamente 15 influenciadores de
grande engajamento, inicialmente contratados por três meses, com possibilidade
de renovação.
A estratégia previa adaptar os argumentos conforme o público alcançado. Um dos roteiros, direcionado à direita, criticava a postura do PT nas negociações com o BRB. Para a esquerda, a proposta defendia que operações financeiras não deveriam ser consideradas suspeitas por princípio. Já o conteúdo voltado ao mercado destacava possíveis benefícios econômicos da transação.
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