quarta-feira, 23 de setembro de 2026

PF investiga tratativas entre assessora de Flávio Bolsonaro e condenado no caso Marielle

                   A Polícia Federal investiga negociações envolvendo uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa armada no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. As informações foram reveladas pelo Estado de S. Paulo a partir de mensagens apreendidas no celular de Calixto.

Os diálogos, registrados em 2023, tratam da liberação de uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. Dados oficiais indicam que o recurso foi efetivamente transferido à entidade em novembro daquele ano.

As tratativas passaram a integrar a Operação Emendatio, investigação da PF que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados a organizações da sociedade civil no Rio. A operação foi autorizada pelo STF e incluiu prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens. Flávio Bolsonaro não foi alvo das medidas judiciais.

Segundo as informações divulgadas, as conversas ocorreram entre Calixto e Maria de Fátima Bezerra Castro, integrante do gabinete de Flávio Bolsonaro. As mensagens mostram cobranças relacionadas à liberação dos recursos e tratativas sobre a emenda destinada ao Ifop.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias da destinação da verba e o caminho percorrido pelos recursos após o repasse à entidade. O caso também envolve apurações sobre a utilização de emendas destinadas a organizações da sociedade civil no estado.

Em manifestação divulgada à imprensa, Flávio Bolsonaro afirmou que a destinação da emenda observou a legislação e os critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério do Esporte. O senador disse ainda que a entidade apresentou documentação e notas fiscais relativas à execução do recurso e devolveu valores que não foram utilizados.

Flávio não comentou diretamente o conteúdo das conversas entre sua assessora e Calixto. A defesa de Domingos Brazão negou participação no episódio, enquanto a defesa de Chiquinho Brazão afirmou desconhecer a investigação.

A PF ainda apura as circunstâncias da negociação e a eventual existência de irregularidades na aplicação dos recursos. Até o momento, as informações divulgadas sobre o caso fazem parte de uma investigação em andamento, sem conclusão sobre eventual responsabilidade criminal do senador.

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