Em
entrevista à Band, presidente defendeu maior participação da sociedade civil na
escolha dos magistrados e afirmou que autoridades citadas em informações sobre
Daniel Vorcaro devem ser investigadas
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu mudanças no processo de
escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a exposição
pública dos magistrados e cobrou a apuração de informações que relacionam
autoridades ao banqueiro Daniel Vorcaro. As declarações foram feitas em
entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibida neste domingo (27).
Lula
sugeriu a criação de um conselho ou comissão com representantes da sociedade
civil e de entidades jurídicas para avaliar os nomes indicados ao Supremo.
Atualmente, os ministros são indicados pelo presidente da República e passam
por sabatina e votação no Senado Federal.
Ao
justificar a proposta, o presidente afirmou que o processo não deveria depender
exclusivamente da vontade do chefe do Executivo e defendeu a participação de
diferentes setores da sociedade.
“Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando ele
coloca a toga, aí vira Deus”,
declarou.
Lula
também afirmou que pretende discutir os critérios de escolha com integrantes do
governo e juristas antes de definir uma proposta.
Durante
a entrevista, o presidente questionou a frequência com que os ministros
concedem entrevistas e a exposição dos debates internos do tribunal,
transmitidos pela TV Justiça.
“Os ministros falam demais, dão entrevista demais, têm
que falar só nos autos do processo”, afirmou.
Lula
também criticou a transmissão pública das sessões, argumentando que a
divulgação de discussões e desentendimentos entre magistrados pode afetar a
percepção da sociedade sobre a Corte.
O
presidente comentou ainda as informações divulgadas a partir de materiais
analisados pela Polícia Federal sobre contatos do banqueiro Daniel Vorcaro com
autoridades. Lula defendeu que eventuais condutas irregulares sejam apuradas,
inclusive quando envolverem integrantes do Supremo.
“Todo mundo que está envolvido tem que ser apurado”, afirmou. Ao mencionar o ministro
Alexandre de Moraes, acrescentou que é necessário esclarecer os fatos.
Reportagens
sobre o material investigado pela Polícia Federal apontaram mensagens entre
Vorcaro e autoridades, além de registros de contatos e relações profissionais
que levantaram questionamentos públicos. A existência desses contatos, por si
só, não comprova irregularidade ou responsabilidade criminal.
As declarações de Lula ocorrem em meio ao debate sobre a credibilidade do STF, os critérios de escolha de seus integrantes e a transparência na atuação do Judiciário. A eventual mudança no modelo de indicação, porém, dependerá da formulação de uma proposta e da análise dos instrumentos jurídicos e legislativos necessários para implementá-la.
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