domingo, 6 de setembro de 2026

Gilmar Mendes propõe barrar delegados da PF em gabinetes de ministros do STF

Sugestão de mudança no regimento ganha força após relatório da PF revelar conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma proposta para alterar o regimento interno do tribunal e restringir a atuação de integrantes das carreiras policiais nos gabinetes dos ministros.

A medida prevê a proibição da nomeação ou cessão de militares das Forças Armadas e servidores das carreiras policiais previstas na Constituição para cargos comissionados ou funções de confiança nos gabinetes do STF.

Pela proposta, a única exceção seria para atividades de segurança. Mesmo nesses casos, os servidores ficariam impedidos de participar da instrução de inquéritos e processos ou de exercer funções de assessoramento jurídico.

A iniciativa ganhou força após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes.

Atualmente, quatro delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Dois trabalham no gabinete do ministro André Mendonça, onde atuam em investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso dos descontos indevidos envolvendo aposentados do INSS. Outros dois estão lotados no gabinete de Moraes.

A proposta de Gilmar Mendes, no entanto, não surgiu exclusivamente em razão do episódio recente. Segundo as informações divulgadas, o ministro já havia defendido anteriormente uma alteração semelhante no funcionamento dos gabinetes do STF.

O contexto atual, porém, aumentou a relevância da discussão justamente por envolver a presença de delegados da PF em gabinetes diretamente relacionados a investigações de grande repercussão.

Para que a mudança entre em vigor, a alteração no regimento interno precisa ser aprovada pelos próprios ministros do Supremo em sessão administrativa.

O debate coloca em discussão os limites da participação de integrantes da Polícia Federal na estrutura interna da Corte, especialmente quando esses servidores atuam em atividades relacionadas à produção de informações e instrução de investigações.

A proposta ainda será analisada pelos ministros e poderá provocar novas discussões sobre a separação entre as funções de investigação policial, assessoramento e atuação jurisdicional dentro do STF.

Em meio às controvérsias envolvendo o Banco Master e as relações entre autoridades públicas e o banqueiro Daniel Vorcaro, a iniciativa de Gilmar Mendes acrescenta um novo capítulo à crise e coloca sob os holofotes a própria estrutura de apoio investigativo existente nos gabinetes da Suprema Corte. 

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