segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Caso Master amplia crise no STF e expõe rede de relações de Daniel Vorcaro com Mendonça e outros ministros

Investigação da Operação Compliance Zero revelou contatos do ex-banqueiro com autoridades, empresários e integrantes do meio jurídico; ministros como o relator André Mendonça são mencionados nos materiais analisados pela Polícia Federal

O Caso Master, investigado pela Operação Compliance Zero, ganhou novas dimensões ao longo de 2026 e passou a provocar uma crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação, que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o antigo Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, alcançou relações mantidas pelo empresário nos meios político, jurídico e empresarial.

Entre os principais elementos que ampliaram a repercussão do caso estão as informações extraídas de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação. Relatórios da Polícia Federal passaram a mencionar contatos de Vorcaro com ministros do STF e seus familiares. As citações, contudo, não significam, por si só, que os envolvidos tenham cometido crimes, e diferentes pessoas mencionadas negam irregularidades.

Documentos divulgados no âmbito da investigação mencionam Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de familiares de alguns magistrados. Os episódios envolvem diferentes tipos de relação e devem ser analisados individualmente.

No caso de Moraes, um relatório da PF baseado no celular de Vorcaro apontou mensagens entre os dois e também mencionou contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O STF chegou a suspender a análise do mérito de uma petição relacionada ao caso após pedido de vista de Flávio Dino.

A repercussão das mensagens provocou confrontos públicos entre integrantes da Corte. Em sessão realizada em 15 de setembro, Gilmar Mendes e André Mendonça trocaram acusações durante a discussão sobre a condução das investigações. O episódio ocorreu enquanto o Supremo analisava justamente desdobramentos relacionados às informações extraídas do celular de Vorcaro.

Mendonça é o relator do caso Master no STF. A condução do inquérito também passou a ser questionada, e o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou da pauta um julgamento que analisaria pedido de investigação sobre a atuação do ministro no caso.

O ministro Dias Toffoli, que inicialmente foi escolhido por sorteio para relatar a Operação Compliance Zero no Supremo, deixou posteriormente a condução do caso após surgirem questionamentos relacionados às suas conexões com o episódio. O próprio STF registra que Toffoli havia assumido a relatoria em novembro de 2025 e determinado diversas diligências no início da investigação.

Na sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o caso e fez fortes acusações contra Vorcaro. Segundo Lula, o empresário teria mantido relações com autoridades de diferentes setores e utilizado recursos para obter acesso e influência.

“Ele corrompeu todo mundo”, afirmou o presidente, acrescentando que o ex-banqueiro teria envolvido integrantes da Suprema Corte, deputados e senadores. As declarações são de Lula e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre os fatos mencionados. 

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