Investigação
da Operação Compliance Zero revelou contatos do ex-banqueiro com autoridades,
empresários e integrantes do meio jurídico; ministros como o relator André Mendonça
são mencionados nos materiais analisados pela Polícia Federal
O Caso Master, investigado pela Operação Compliance Zero, ganhou novas dimensões ao longo de 2026 e passou a provocar uma crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação, que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o antigo Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, alcançou relações mantidas pelo empresário nos meios político, jurídico e empresarial.
Entre
os principais elementos que ampliaram a repercussão do caso estão as
informações extraídas de dispositivos eletrônicos apreendidos durante a
operação. Relatórios da Polícia Federal passaram a mencionar contatos de
Vorcaro com ministros do STF e seus familiares. As citações, contudo, não
significam, por si só, que os envolvidos tenham cometido crimes, e diferentes
pessoas mencionadas negam irregularidades.
Documentos
divulgados no âmbito da investigação mencionam Alexandre de Moraes, André
Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de familiares de
alguns magistrados. Os episódios envolvem diferentes tipos de relação e devem
ser analisados individualmente.
No
caso de Moraes, um relatório da PF baseado no celular de Vorcaro apontou
mensagens entre os dois e também mencionou contrato de R$ 131 milhões entre o
Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do
ministro. O STF chegou a suspender a análise do mérito de uma petição
relacionada ao caso após pedido de vista de Flávio Dino.
A
repercussão das mensagens provocou confrontos públicos entre integrantes da
Corte. Em sessão realizada em 15 de setembro, Gilmar Mendes e André Mendonça
trocaram acusações durante a discussão sobre a condução das investigações. O
episódio ocorreu enquanto o Supremo analisava justamente desdobramentos
relacionados às informações extraídas do celular de Vorcaro.
Mendonça
é o relator do caso Master no STF. A condução do inquérito também passou a ser
questionada, e o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou da pauta um
julgamento que analisaria pedido de investigação sobre a atuação do ministro no
caso.
O
ministro Dias Toffoli, que inicialmente foi escolhido por sorteio para relatar
a Operação Compliance Zero no Supremo, deixou posteriormente a condução do caso
após surgirem questionamentos relacionados às suas conexões com o episódio. O
próprio STF registra que Toffoli havia assumido a relatoria em novembro de 2025
e determinado diversas diligências no início da investigação.
Na
sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o
caso e fez fortes acusações contra Vorcaro. Segundo Lula, o empresário teria
mantido relações com autoridades de diferentes setores e utilizado recursos
para obter acesso e influência.
“Ele corrompeu todo mundo”, afirmou o presidente, acrescentando que o ex-banqueiro teria envolvido integrantes da Suprema Corte, deputados e senadores. As declarações são de Lula e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre os fatos mencionados.
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