domingo, 30 de agosto de 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por suposto abuso de poder econômico em Barretos

         A coligação que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, por suposto abuso de poder econômico durante a Festa do Peão de Barretos, em São Paulo.

Protocolada no sábado (29/8), a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) foi distribuída ao corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira. Ao final do processo, a coligação de Lula pede a cassação dos registros de candidatura de Flávio e Gaspar, além da declaração de inelegibilidade de ambos pelo período de oito anos.

O episódio questionado ocorreu em 22 de agosto, durante a tradicional festa. Segundo a petição apresentada ao TSE, Flávio subiu ao palco acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Na ação, os advogados da coligação governista sustentam que o problema não estaria na simples presença de candidatos ou políticos em um evento público, mas na suposta utilização da estrutura de uma festa empresarial de grande porte para promover eleitoralmente uma candidatura.

A petição afirma que o evento possuía estrutura profissional, capacidade econômica, público próprio e ampla exposição, elementos que, na avaliação dos autores da ação, teriam proporcionado vantagem eleitoral ao candidato do PL.

Um dos pontos destacados é a apresentação de Flávio pelo locutor Cuiabano Lima como “nosso candidato à Presidência do Brasil”. Na sequência, segundo a ação, as luzes da arena foram alteradas para as cores verde e amarela, houve interação com o público e gritos em apoio ao senador.

Para a coligação de Lula, a sequência de acontecimentos indicaria uma ação organizada de promoção eleitoral, e não uma manifestação espontânea da plateia.

A ação também menciona o discurso feito pelo candidato durante a participação no evento. Segundo a petição, Flávio afirmou que retornaria à festa no ano seguinte na condição de presidente da República, associando a declaração à presença do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para os advogados da coligação governista, o episódio teria ultrapassado os limites de uma manifestação política e resultado em uma vantagem eleitoral supostamente financiada de forma indireta por pessoas jurídicas responsáveis pelo patrocínio e pela estrutura da Festa do Peão.

A tese apresentada ao TSE é de que recursos públicos e privados empregados na realização do festival teriam sido utilizados para criar uma situação considerada anti-isonômica entre os candidatos.

A ação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral. A apresentação da Aije não significa, por si só, que as acusações tenham sido comprovadas.

O processo deverá avaliar as circunstâncias da participação de Flávio no evento, a existência ou não de estrutura organizada para promoção eleitoral, eventual participação de empresas no financiamento da exposição política e se houve desequilíbrio na disputa presidencial.

Caso as alegações sejam comprovadas e a Justiça Eleitoral reconheça a configuração de abuso de poder econômico, poderão ser aplicadas as sanções solicitadas pela coligação de Lula. Até a conclusão do processo, prevalece o princípio de que os fatos ainda estão sob investigação judicial. 

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