As
obras foram suspensas em maio por decisão cautelar do ministro Jhonatan de
Jesus, que identificou a ausência de estudos capazes de comprovar a viabilidade
socioeconômica do trecho pernambucano, além de apontar fragilidades na
justificativa técnica e na governança do projeto.
Para
reverter a suspensão, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
(Sudene) apresentou ao TCU um novo estudo técnico demonstrando a viabilidade
econômica da ferrovia. O documento reúne projeções sobre demanda de cargas,
impactos econômicos, geração de empregos e benefícios sociais decorrentes da
conclusão da obra.
De
acordo com o levantamento, a conclusão da Transnordestina em Pernambuco poderá
gerar um benefício social estimado em R$ 4,7 bilhões, resultado dos impactos
sobre emprego, renda e desenvolvimento regional. O estudo também projeta um
incremento de R$ 8,23 bilhões no Valor Adicionado Bruto (VAB) da economia, além
da criação de aproximadamente 9,6 mil empregos permanentes, entre postos
diretos na operação ferroviária, terminais logísticos e atividades econômicas
ligadas ao novo corredor de transporte.
Em
território pernambucano, a ferrovia terá 544 quilômetros de extensão,
conectando Salgueiro, no Sertão Central, ao Porto de Suape, na Região
Metropolitana do Recife. Entre os trechos afetados pela suspensão está o
segmento de 73 quilômetros entre Custódia e Arcoverde, que estava em
execução quando a decisão cautelar foi publicada.
A
expectativa é que uma decisão favorável do TCU permita a liberação dos recursos
federais e a retomada imediata das obras, consideradas estratégicas para
ampliar a competitividade da economia pernambucana, reduzir custos logísticos e
fortalecer o escoamento da produção agrícola, mineral e industrial do interior
do Estado.
A Transnordestina é vista como um eixo estruturador do desenvolvimento regional e, após anos de paralisações e entraves, o julgamento desta quarta-feira poderá representar um novo capítulo para um dos mais importantes projetos ferroviários do país.
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