sábado, 18 de julho de 2026

Lula defende o Pix após tarifa dos EUA e afirma: "Nossa soberania não se negocia"

Presidente reage à investigação americana que classificou o sistema brasileiro de pagamentos como prática comercial desleal e garante que o Pix continuará gratuito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou nesta sexta-feira (17) a defesa do Pix, após o governo dos Estados Unidos anunciar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e incluir o sistema de pagamentos instantâneos entre os pontos questionados em uma investigação comercial.

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que o Pix continuará sendo um serviço público, gratuito e acessível à população.

"Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. É público, é de graça e vai continuar assim. Nossa soberania não se negocia", destacou o presidente em um card divulgado por seus canais oficiais.

A manifestação ocorre um dia após o governo norte-americano confirmar a adoção da tarifa sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio.

No relatório divulgado pelo USTR, o governo americano argumenta que o Banco Central do Brasil teria favorecido o Pix em relação a outros meios de pagamento, classificando a política como uma possível prática desleal no comércio digital.

Criado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se consolidou como o principal sistema de pagamentos instantâneos do país, permitindo transferências gratuitas entre pessoas físicas e reduzindo custos para consumidores e empresas.

A posição americana foi contestada por integrantes da equipe econômica brasileira.

Na quinta-feira (16), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que considera difícil compreender o questionamento dos Estados Unidos, destacando que o Pix opera em uma infraestrutura aberta e estimula a concorrência entre instituições financeiras.

Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou como um "completo absurdo" considerar o Pix uma prática comercial desleal.

O governo brasileiro mantém a posição de que o sistema foi desenvolvido para ampliar a inclusão financeira, reduzir custos das transações e aumentar a competitividade do mercado de pagamentos no país.

Enquanto isso, a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos amplia a tensão comercial entre os dois países e deve intensificar as negociações diplomáticas nas próximas semanas. 

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