Documento
garante residência permanente ao ex-deputado e à família enquanto permanecem em
solo americano; caso ocorre em meio a investigações, condenação judicial e
crise comercial entre os dois países
O
ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recebeu neste mês o green card,
documento que garante residência permanente nos Estados Unidos. A autorização
também foi concedida à esposa, Heloísa Wolf Bolsonaro, e aos dois filhos do
casal, Geórgia e Jair Henrique, consolidando a permanência da família em
território norte-americano.
A
informação foi divulgada inicialmente pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha
de S.Paulo, e confirmada por pessoas próximas ao ex-parlamentar. O green
card assegura ao beneficiário o direito de morar, trabalhar e estudar nos
Estados Unidos por tempo indeterminado, além de permitir, após cinco anos, o
pedido de cidadania americana, desde que cumpridos os requisitos da legislação
local.
Eduardo
Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando deixou o
Brasil após se tornar alvo de investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal
Federal (STF). Em junho deste ano, ele foi condenado pela Corte a quatro anos e
dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, decisão
relacionada à atuação do ex-deputado em articulações internacionais durante as
investigações envolvendo a tentativa de golpe de Estado.
A
confirmação da residência permanente ocorre em um momento de elevada tensão nas
relações entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos meses, o governo do
presidente Donald Trump adotou medidas comerciais contra produtos brasileiros,
justificando parte das decisões com críticas ao tratamento dado pela Justiça
brasileira ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na
semana passada, Washington anunciou uma nova rodada de tarifas de 25% sobre
produtos brasileiros, que deverá entrar em vigor nesta quarta-feira (22),
ampliando o impasse diplomático e econômico entre os dois países.
A
concessão do green card foi comemorada por aliados de Eduardo Bolsonaro. O
jornalista e influenciador Paulo Figueiredo afirmou que o pedido havia sido
protocolado há mais de um ano e sustentou que o ex-deputado passa a contar com
maior proteção jurídica nos Estados Unidos.
Segundo
ele, qualquer medida que venha a ser adotada contra Eduardo em território
americano poderá ser analisada à luz da legislação e da Constituição dos
Estados Unidos.
Embora
o green card represente um novo status migratório para Eduardo Bolsonaro e sua
família, a situação jurídica do ex-parlamentar no Brasil permanece inalterada.
Os processos em tramitação no STF seguem seu curso, enquanto a decisão de
permanecer nos Estados Unidos reforça a expectativa de que sua atuação política
continue concentrada no cenário internacional.
O episódio também amplia o debate sobre os reflexos diplomáticos e políticos da crise envolvendo integrantes da família Bolsonaro, especialmente em um momento em que as relações entre Brasília e Washington atravessam uma das fases mais delicadas dos últimos anos.
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