terça-feira, 2 de junho de 2026

Senado derruba resolução do Conanda e dificulta aborto legal de crianças vítimas de estupro

Brasília – Em uma sessão remota que durou menos de dois minutos, o Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2) um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que revoga uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) relacionada ao atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e ao acesso ao aborto previsto em lei.

A proposta, de autoria da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ), teve como relatora no Senado a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e recebeu aprovação em votação simbólica, sem registro nominal dos votos dos parlamentares.

A medida susta os efeitos da Resolução nº 258/2024 do Conanda, aprovada em dezembro do ano passado, que estabelecia diretrizes para o atendimento de meninas menores de 14 anos que engravidaram em decorrência de estupro, além de casos em que a gravidez representasse risco à vida da gestante ou houvesse diagnóstico de anencefalia fetal — situações em que a legislação brasileira permite a interrupção da gestação.

Durante a tramitação, Damares Alves argumentou que o Conanda ultrapassou suas competências institucionais ao regulamentar temas que, segundo a parlamentar, dependem de discussão e deliberação do Congresso Nacional.

“O Conanda foi criado para formular diretrizes e acompanhar políticas públicas voltadas à infância e à adolescência, mas não para criar direitos, restringir prerrogativas previstas em lei ou redefinir regimes jurídicos estabelecidos pelo Congresso Nacional”, destacou a senadora em seu parecer.

A resolução revogada previa a capacitação de profissionais de saúde, assistência social e proteção à infância para identificação de situações de violência sexual, além da garantia de atendimento rápido, sigiloso e humanizado às vítimas. O texto também determinava que a vontade da criança ou adolescente fosse considerada prioritária em casos de divergência familiar.

A tramitação do projeto chamou atenção pela rapidez. Após ser aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, o texto foi encaminhado ao plenário poucos minutos depois, sendo votado sem debates e em uma sessão com baixa participação dos senadores.

A decisão reacende o debate nacional sobre os limites de atuação dos conselhos de políticas públicas, os direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e a regulamentação do aborto legal no Brasil.

Com a aprovação do Senado, o decreto legislativo segue para promulgação pelo Congresso Nacional. 

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