terça-feira, 2 de junho de 2026

PF deflagra Operação Check-in e investiga suposto esquema de corrupção e fraudes na Prefeitura do Recife

            Uma operação da Polícia Federal desencadeada na manhã desta terça-feira (2) colocou sob investigação um suposto esquema de corrupção, desvio de recursos públicos e fraudes licitatórias envolvendo contratos firmados com a Prefeitura do Recife.

Batizada de Operação Check-in, a ação é conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União e tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar por meio do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos em troca de favorecimento contratual.

As investigações apontam para possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em processos licitatórios.

Segundo a Polícia Federal, a apuração teve origem a partir de elementos encontrados durante a Operação Firenze, quando foram apreendidos canhotos de cheques que levantaram suspeitas sobre movimentações financeiras irregulares.

Os indícios coletados apontam que uma empresa privada responsável pela prestação de serviços terceirizados de mão de obra ao município teria realizado pagamentos sistemáticos a um servidor da administração municipal. Até o momento, as autoridades não divulgaram a identidade do agente público investigado.

De acordo com os investigadores, as irregularidades identificadas concentram-se principalmente em contratos executados no ano de 2020. Somente naquele período, a empresa investigada recebeu cerca de R$ 25,8 milhões da gestão municipal. Desse total, aproximadamente R$ 17 milhões tiveram origem em recursos federais.

A Polícia Federal ressalta que o possível prejuízo aos cofres públicos pode ser ainda maior, uma vez que a empresa manteve contratos com a administração municipal em exercícios anteriores ao período inicialmente analisado.

Para avançar na coleta de provas, a Justiça autorizou o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão.

A operação mobilizou uma força-tarefa formada por 32 policiais federais e dois auditores da CGU, que realizaram diligências em endereços localizados no Recife, em Jaboatão dos Guararapes e em Cabo de Santo Agostinho, municípios da Região Metropolitana do Recife.

Os materiais apreendidos serão analisados e poderão subsidiar novas fases da investigação.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento e que novas diligências não estão descartadas. O objetivo é identificar todos os envolvidos no suposto esquema, rastrear a movimentação dos recursos e dimensionar o eventual prejuízo causado ao erário.

A operação amplia o cerco dos órgãos de controle sobre contratos públicos financiados com recursos federais e reforça o monitoramento de possíveis irregularidades em processos de terceirização da administração pública. 

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