terça-feira, 30 de junho de 2026

Polícia Civil investiga esquema de fraude em contratos do São João do Recife

Operação Initium cumpriu mandados de busca, bloqueou bens e afastou servidores suspeitos de participação em esquema envolvendo contratos para festas juninas

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã desta terça-feira (30), a Operação Initium, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações envolvendo contratos da Fundação de Cultura do Recife para prestação de serviços de sonorização em eventos juninos. Dois servidores da fundação são alvos da investigação, que aponta um prejuízo estimado em R$ 2,3 milhões aos cofres públicos entre os anos de 2023 e 2024.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nos municípios do Recife, Paulista, Altinho e Caruaru. A Justiça também determinou o afastamento dos servidores investigados de suas funções, além do bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade e sequestro de bens dos suspeitos.

Segundo a Polícia Civil, os investigados podem responder por crimes de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Os mandados foram expedidos pela Vara dos Crimes contra a Administração Pública e a Ordem Tributária da Capital.

Durante entrevista coletiva, o delegado Júlio César Pinheiro informou que os dois servidores teriam recebido pagamentos irregulares para favorecer uma empresa contratada pelo poder público.

De acordo com a investigação, um dos servidores teria recebido R$ 10 mil, enquanto o outro recebeu aproximadamente R$ 20 mil para aprovar contratos considerados irregulares.

As apurações também indicam que a empresa investigada vencia licitações apresentando propostas com valores artificialmente baixos para eliminar a concorrência, mas entregava serviços inferiores aos previstos nos editais.

O proprietário da empresa é apontado como o principal alvo da investigação. A polícia afirma haver indícios de utilização de pessoas interpostas ("laranjas") para ocultar movimentações financeiras e realizar o pagamento de vantagens indevidas aos servidores públicos.

Durante as buscas, os policiais apreenderam cerca de R$ 20 mil em espécie, entre reais e euros, na residência de um dos investigados.

Segundo a Polícia Civil, a organização utilizava um grupo empresarial para simular concorrência em processos licitatórios, apresentando propostas previamente ajustadas para direcionar as contratações.

As investigações apontam ainda um sistema de triangulação financeira destinado ao pagamento de propinas a agentes públicos responsáveis pela fiscalização dos contratos, garantindo tanto o direcionamento das licitações quanto a aprovação dos serviços executados sem questionamentos.

Outro ponto identificado pelos investigadores foi a movimentação de recursos entre empresas que deveriam disputar os certames, evidenciando, segundo a polícia, um possível acordo prévio para divisão do mercado e manipulação dos resultados das licitações.

A operação mobilizou cerca de 60 policiais civis e contou com o apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco e do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro.

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