sábado, 27 de junho de 2026

Investigação aponta empresário ligado ao PCC como sócio de empresa ligada ao filme sobre Bolsonaro

           As investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre um contrato milionário para instalação de pontos de internet sem fio na capital paulista revelaram que o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como "Escorpião do PCC" e apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), é sócio da empresa subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar parte do projeto.

O contrato, firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB, previa inicialmente investimentos de R$ 108 milhões para a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em comunidades da capital. Segundo as investigações, o valor pode alcançar R$ 157 milhões, enquanto auditorias apontam indícios de superfaturamento de até 230%.

De acordo com a Polícia Civil, o Instituto recebia R$ 1.800 por mês por cada ponto de internet instalado, enquanto a empresa pública Prodam prestava serviço semelhante por R$ 306 mensais. Além da diferença de valores, os investigadores afirmam que apenas 3,2 mil das 5 mil antenas previstas foram efetivamente instaladas.

Outro ponto destacado pela apuração envolve um pagamento de R$ 2,7 milhões referente à manutenção de 128 pontos de conexão durante 12 meses. Conforme a investigação, o serviço teria sido executado por apenas dois meses, período cujo custo estimado seria de aproximadamente R$ 273 mil.

O rastreamento financeiro realizado pela Polícia Civil aponta que cerca de R$ 12 milhões foram destinados à empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., pertencente a Alex Leandro. Até dezembro de 2025, a empresa já havia recebido mais de R$ 3,8 milhões.

A principal linha de investigação considera a hipótese de que parte dos recursos desviados possa ter sido utilizada para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora responsável pela obra, a Go Up Entertainment, tem como sócia Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil.

Até o momento, não há decisão judicial que confirme essa hipótese, que segue sendo apurada pelas autoridades.

Alex Leandro possui um histórico com mais de 60 processos judiciais, incluindo condenações por roubo e extorsão mediante sequestro. Ele cumpriu aproximadamente 13 anos de prisão em unidades de segurança máxima do Estado de São Paulo.

Atualmente, o empresário está preso preventivamente e responde por feminicídio, acusado de matar sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, em novembro de 2025. Segundo a investigação, imagens do circuito interno do prédio registraram agressões à vítima momentos antes de sua queda do 10º andar de um edifício na Zona Sul da capital paulista.

As investigações também apontam possíveis tentativas de ocultar a participação de Alex Leandro na empresa contratada. Conforme a Polícia Civil, nos primeiros contratos o empresário teria assinado utilizando apenas o prenome "Alex", sem identificação completa.

Após a repercussão do caso de feminicídio, a empresa Favela Conectada alterou sua razão social para Urban Connect e transferiu formalmente o controle para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, pessoa que, segundo os investigadores, reside no mesmo endereço de Alex Leandro.

Até o fechamento desta reportagem, os investigados e as empresas citadas não haviam se manifestado sobre as acusações. As investigações seguem em andamento e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.

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