O contrato, firmado entre a
Prefeitura de São Paulo e o ICB, previa inicialmente investimentos de R$ 108
milhões para a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em comunidades da capital.
Segundo as investigações, o valor pode alcançar R$ 157 milhões, enquanto
auditorias apontam indícios de superfaturamento de até 230%.
De acordo com a Polícia
Civil, o Instituto recebia R$ 1.800 por mês por cada ponto de internet
instalado, enquanto a empresa pública Prodam prestava serviço semelhante por R$
306 mensais. Além da diferença de valores, os investigadores afirmam que apenas
3,2 mil das 5 mil antenas previstas foram efetivamente instaladas.
Outro ponto destacado pela
apuração envolve um pagamento de R$ 2,7 milhões referente à manutenção de 128
pontos de conexão durante 12 meses. Conforme a investigação, o serviço teria
sido executado por apenas dois meses, período cujo custo estimado seria de
aproximadamente R$ 273 mil.
O rastreamento financeiro
realizado pela Polícia Civil aponta que cerca de R$ 12 milhões foram destinados
à empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., pertencente a Alex
Leandro. Até dezembro de 2025, a empresa já havia recebido mais de R$ 3,8
milhões.
A principal linha de
investigação considera a hipótese de que parte dos recursos desviados possa ter
sido utilizada para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre a
trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produtora responsável pela obra,
a Go Up Entertainment, tem como sócia Karina Ferreira da Gama, que também
preside o Instituto Conhecer Brasil.
Até o momento, não há
decisão judicial que confirme essa hipótese, que segue sendo apurada pelas
autoridades.
Alex Leandro possui um
histórico com mais de 60 processos judiciais, incluindo condenações por roubo e
extorsão mediante sequestro. Ele cumpriu aproximadamente 13 anos de prisão em
unidades de segurança máxima do Estado de São Paulo.
Atualmente, o empresário
está preso preventivamente e responde por feminicídio, acusado de matar sua
companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, em novembro de 2025.
Segundo a investigação, imagens do circuito interno do prédio registraram
agressões à vítima momentos antes de sua queda do 10º andar de um edifício na
Zona Sul da capital paulista.
As investigações também apontam possíveis tentativas de ocultar a participação de Alex Leandro na empresa contratada. Conforme a Polícia Civil, nos primeiros contratos o empresário teria assinado utilizando apenas o prenome "Alex", sem identificação completa.
Após a repercussão do caso
de feminicídio, a empresa Favela Conectada alterou sua razão social para Urban
Connect e transferiu formalmente o controle para Tatiane Camargo de Oliveira
Fernandes, pessoa que, segundo os investigadores, reside no mesmo endereço de
Alex Leandro.
Até o fechamento desta reportagem, os investigados e as empresas citadas não haviam se manifestado sobre as acusações. As investigações seguem em andamento e os fatos ainda serão analisados pela Justiça.
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