quinta-feira, 4 de junho de 2026

Frutas do Vale do São Francisco escapam de novo tarifaço dos Estados Unidos

Manga e uva, principais produtos exportados pela região, ficaram fora da nova lista de sobretaxação anunciada pelo governo norte-americano

Em meio às preocupações geradas pelo novo pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos, uma notícia trouxe alívio para produtores e exportadores do Vale do São Francisco: as frutas da região ficaram fora da lista de produtos atingidos pelas novas sobretaxas propostas pela administração americana.

A exclusão de produtos como manga e uva foi recebida com entusiasmo pelo setor de fruticultura, considerado um dos principais motores da economia do Sertão pernambucano e baiano. Para o superintendente da Codevasf em Petrolina, Edilazio Wanderley, a decisão demonstra a importância estratégica da produção brasileira para o abastecimento do mercado norte-americano.

Segundo ele, os Estados Unidos dependem da produção brasileira, especialmente durante o segundo semestre do ano, período em que a oferta interna de frutas como manga e uva não é suficiente para atender à demanda local.

“O mercado americano precisa dessas frutas, principalmente durante a janela de produção do segundo semestre. Isso reforça a competitividade da fruticultura brasileira e a relevância do Vale do São Francisco no comércio internacional”, destacou.

O Vale do São Francisco é responsável por números expressivos no setor. Atualmente, a região responde por cerca de 90% das exportações brasileiras de manga e por aproximadamente 92% das exportações nacionais de uva de mesa.

Anualmente, cerca de 50 mil toneladas de manga produzidas no Brasil são destinadas ao mercado norte-americano, que permanece como um dos principais compradores da fruta brasileira.

Apesar da tensão provocada pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos nos últimos meses, o setor não registra impactos diretos sobre a produção nem riscos imediatos para empregos e investimentos na região.

De acordo com Edilazio Wanderley, a estratégia de diversificação dos mercados internacionais adotada pelo Brasil desde o início das disputas tarifárias contribuiu para reduzir a dependência de alguns destinos tradicionais.

Países como Inglaterra e Canadá passaram a ampliar a compra de frutas brasileiras nos períodos em que tradicionalmente não eram atendidos pelos exportadores nacionais, abrindo novas oportunidades para os produtores do Vale.

Além disso, o recente avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia fortalece ainda mais o cenário para a fruticultura. Na última semana, foram enviados os primeiros contêineres de uva para países europeus sem incidência de tarifas, ampliando a competitividade do produto brasileiro.

Outro movimento observado pelo setor é a ampliação das negociações com mercados asiáticos, considerados estratégicos para o crescimento das exportações brasileiras nos próximos anos.

A abertura de novos destinos comerciais reduz riscos, amplia oportunidades para os produtores e fortalece a posição do Vale do São Francisco como uma das mais importantes regiões exportadoras de frutas do mundo.

Com a manutenção do acesso ao mercado americano e a ampliação de novos canais de exportação, a expectativa é de continuidade do crescimento da fruticultura regional, atividade que movimenta bilhões de reais por ano e gera milhares de empregos diretos e indiretos no Sertão. 

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