sexta-feira, 8 de maio de 2026

Esquema milionário de sonegação em Pernambuco usou dezenas de empresas fantasmas

             Uma complexa engrenagem de fraude fiscal, sustentada por um sistema contínuo de criação e abandono de empresas, está no centro das investigações da Operação Cortina de Fumaça, que apura um esquema de sonegação fiscal em Pernambuco com prejuízo estimado em mais de R$ 132 milhões aos cofres públicos estaduais.

De acordo com a Secretaria da Fazenda de Pernambuco, o grupo criminoso operava com uma estratégia sofisticada baseada na utilização de empresas de fachada, conhecidas como “laranjas”, para ocultar a real movimentação financeira e evitar o pagamento de tributos. Ao longo de uma década, ao menos 36 empresas foram utilizadas no esquema, com atuação concentrada no Ceasa do Recife e em estabelecimentos comerciais de Caruaru, no Agreste do estado.

Segundo o diretor-geral de Operações Estratégicas da Sefaz-PE, Antônio Emery, o modelo adotado pelo grupo consistia em uma sucessão empresarial fraudulenta. Empresas eram abertas em nome de terceiros e, ao acumularem dívidas tributárias elevadas, eram simplesmente abandonadas, dando lugar a novas pessoas jurídicas, registradas em nome de outros “laranjas”.

“Tratava-se de um mecanismo contínuo. Quando a carga tributária tornava a empresa inviável, ela era descartada, e uma nova era criada para manter o esquema ativo”, explicou.

As investigações apontam que os chamados “laranjas” incluíam funcionários, colaboradores do comércio e até familiares dos envolvidos. Em um dos casos, um garçom foi formalmente registrado como proprietário de uma empresa que acumulou dívida superior a R$ 3 milhões.

O delegado Breno Varejão, responsável pelo caso no âmbito do Departamento de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária, destacou que, até o momento, não há indícios de uso indevido de dados pessoais, indicando que os envolvidos tinham conhecimento do esquema.

Além da evasão fiscal, as empresas eram utilizadas para a emissão de notas fiscais sem lastro comercial, com o objetivo de gerar créditos tributários fictícios, ampliando os ganhos ilícitos do grupo.

A atuação criminosa não se restringia à capital e ao Agreste. Segundo as autoridades, o esquema também alcançava municípios como Camaragibe e Bezerros, evidenciando a capilaridade da organização.

O Ministério Público de Pernambuco informou que os investigados poderão responder por uma série de crimes, incluindo sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de documentos e ocultação de bens.

As investigações seguem em andamento, com novas diligências previstas para aprofundar o rastreamento financeiro e identificar outros possíveis envolvidos no esquema. 

👉 Acompanhe mais notícias e curta nossas redes sociais:

📸 Instagram   👍 Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário