quarta-feira, 27 de maio de 2026

Câmara aprova PEC que reduz jornada para 40 horas semanais e abre caminho para fim da escala 6x1

             A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais e permite o fim gradual da tradicional escala 6x1. A medida representa uma das mudanças mais significativas nas relações trabalhistas dos últimos anos e agora segue para análise do Senado Federal.

No primeiro turno, o texto recebeu 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários. Já no segundo turno, a proposta foi aprovada por 461 votos a 19, consolidando ampla maioria favorável à mudança.

Mais cedo, a PEC já havia avançado na comissão especial da Câmara, onde o parecer do relator, o deputado Leo Prates, foi aprovado por 34 votos a 4. Apenas parlamentares do PL e do Novo votaram contra o relatório.

O texto aprovado estabelece uma transição gradual para a nova jornada de trabalho. Segundo o parecer apresentado por Leo Prates na última segunda-feira (25), a redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais deverá ocorrer em até 14 meses após a promulgação da PEC.

A proposta prevê que, dois meses após a promulgação, a carga horária semanal seja reduzida em duas horas, iniciando oficialmente o processo de adaptação das empresas e trabalhadores ao novo modelo.

Além da redução da jornada, a PEC também abre espaço para o fim da escala 6x1 — regime em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um. A expectativa é de que a mudança incentive escalas mais equilibradas, como o modelo 5x2, já adotado em diversos setores da economia.

Durante a votação, os deputados rejeitaram um destaque apresentado pelo PL que tentava alterar o período de transição para a implementação da escala 5x2. Com isso, foi mantido integralmente o texto apresentado pelo relator.

A tramitação acelerada da proposta contou com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que articulou sessões extras para garantir o avanço da PEC dentro do prazo regimental de apresentação de emendas.

Caso seja aprovada também no Senado, a proposta poderá alterar significativamente a dinâmica das relações de trabalho no país, impactando trabalhadores, empresas e setores produtivos em todo o Brasil. 

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