sexta-feira, 17 de abril de 2026

Vereadores defendem legalidade e negam motivação política em sessão que analisará denúncia contra Luciano

            Em meio a um cenário de forte repercussão política e jurídica no município de Arcoverde, nove vereadores da Câmara Municipal vieram a público nesta sexta-feira (17), em entrevista à Rádio Independente FM, para esclarecer os fundamentos da sessão extraordinária convocada para logo mais, às 19h. O encontro legislativo terá como pauta central a análise de denúncias que podem resultar na cassação do mandato do presidente da Casa, Luciano Pacheco (MDB).

Participaram da entrevista os parlamentares Rodrigo Roa de forma remota, Paulinho, Célia, Luiza Margarida, João Marcos, Heriberto, João Taxista, Wellington e Claudelino. De forma conjunta, eles reforçaram que a iniciativa não possui motivação política, mas sim o compromisso institucional de cumprir a legislação e assegurar a devida apuração dos fatos apresentados.

Segundo os vereadores, o processo seguirá rigorosamente os trâmites legais previstos, garantindo transparência e respeito ao direito de defesa. “Não se trata de disputa política, mas de uma obrigação legal diante dos indícios apresentados”, destacaram durante a entrevista.

A denúncia em análise sustenta que Luciano Pacheco teria exercido simultaneamente a presidência da Câmara Municipal enquanto atuava como advogado em processos judiciais, o que, conforme os denunciantes, pode configurar incompatibilidade com normas da legislação vigente, incluindo o Estatuto da Advocacia, legislações federais e dispositivos municipais.

O ponto central da discussão gira em torno da possível violação de princípios constitucionais, como legalidade, moralidade e impessoalidade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. Além disso, o artigo 54 — aplicado por simetria aos vereadores — veda o exercício de atividades que possam gerar conflito de interesses com o poder público.

“No âmbito local, a Lei Orgânica de Arcoverde e o Regimento Interno da Câmara exigem conduta compatível com o decoro parlamentar, especialmente por parte do presidente do Legislativo, que deve atuar com imparcialidade e zelo institucional”, revelaram.

Outro ponto relevante citado é o artigo 28 do Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994), que estabelece a incompatibilidade do exercício da advocacia com cargos da Mesa Diretora do Poder Legislativo, incluindo a presidência.

De acordo com os parlamentares, há registros documentais anexados à denúncia que indicariam a atuação de Luciano Pacheco como advogado em processos judiciais durante o período em que ocupa a presidência da Câmara, o que motivou a abertura do procedimento, a partir de uma denúncia formulada pelo odontóloga Mércia Lira Lumba.

Caso as irregularidades sejam comprovadas, a conduta poderá ser enquadrada como quebra de decoro parlamentar, podendo resultar na cassação do mandato, conforme previsão constitucional e do Decreto-Lei nº 201/1967.

Os vereadores também ressaltaram que a abertura do processo não representa um julgamento antecipado, mas sim o cumprimento de um dever legal diante de indícios considerados relevantes. “A investigação é necessária para garantir a integridade das instituições públicas”, afirmaram.

Ainda segundo os parlamentares, situações semelhantes já ocorreram anteriormente envolvendo o próprio presidente da Câmara, em 2011, o que reforça a necessidade de apuração criteriosa dos fatos.

A sessão extraordinária desta sexta-feira deverá definir os próximos passos do processo, marcando um momento decisivo para o cenário político e institucional de Arcoverde. 

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