segunda-feira, 6 de abril de 2026

Sessão tumultuada na Câmara de Arcoverde expõe crise política e levanta dúvidas sobre legalidade de atos

                Uma sessão marcada por tensão, embates verbais e impasses regimentais escancarou, nesta segunda-feira (6), a crise política instalada na Câmara de Vereadores de Arcoverde. Em meio a mais de três horas e meia de discussões acaloradas, parlamentares da base governista apresentaram um pedido de sessão extraordinária com o objetivo de deliberar sobre o acatamento de uma denúncia contra o presidente da Casa, Luciano Pacheco (MDB), além da criação de uma comissão que poderá analisar o caso e, eventualmente, recomendar a cassação do mandato.

O clima de instabilidade se agravou durante o encontro, quando o vice-presidente da Câmara, Claudelino, protagonizou um confronto direto com o presidente. Em tom incisivo, ele afirmou que daria andamento à convocação da sessão extraordinária, o que foi imediatamente contestado por Luciano Pacheco, que questionou a legalidade da iniciativa e a condução dos trabalhos. Luciano lembrou que o tema foi alvo de apuração do MPPE que arquivou a denúncia por não comprovar ilegalidades. 

Durante o longo debate, vereadores governistas sustentaram que o pedido de abertura da sessão extraordinária contava com o respaldo da maioria absoluta da Casa — nove dos dez parlamentares. No entanto, divergências sobre a interpretação de dispositivos regimentais e legais impediram qualquer consenso quanto à validade da convocação e dos procedimentos a serem adotados.

O impasse ganhou novos contornos após o encerramento oficial da sessão ordinária. Mesmo sem acordo e já fora do rito formal, o vice-presidente decidiu, por iniciativa própria, amparado em documentos assinado pelos demais vereadores governistas, abrir uma sessão extraordinária. A medida foi tomada sem a devida publicidade nos canais oficiais do Legislativo, que já estavam desligados, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a legalidade do ato.

Ainda durante essa sessão paralela, foi realizada a leitura da denúncia contra o presidente. Luciano Pacheco, por sua vez, solicitou vistas do processo — direito comum em procedimentos dessa natureza —, mas teve o pedido negado. Na sequência, em um movimento considerado por aliados como “relâmpago”, foi formada uma comissão especial para analisar o caso.

O colegiado ficou composto pelos vereadores Herberto do Sacolão, na presidência, João Taxista como relator, e Rodrigo Roa como membro.

Luciano Pacheco classificou toda a movimentação como resultado de perseguição política, afirmando que a iniciativa teria sido motivada por seu recente rompimento com a gestão municipal, citando inclusive que a denúncia foi feita pela irmã de uma secretária do governo Zeca. Já os parlamentares governistas defendem a legitimidade do processo, alegando respaldo legal e apoio majoritário dentro da Casa.

Diante dos acontecimentos, a principal questão que emerge é a validade jurídica dos atos praticados fora do rito ordinário. Especialistas apontam que a ausência de publicidade oficial, aliada à falta de consenso sobre a convocação da sessão extraordinária, pode comprometer a legalidade tanto da abertura do processo quanto da atuação da comissão formada.

O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, podendo inclusive ser levado à análise do Poder Judiciário, que deverá decidir sobre a regularidade dos procedimentos adotados e os limites da atuação do Legislativo municipal neste episódio. 

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