quarta-feira, 22 de abril de 2026

Sertânia registra maior queda na alfabetização em Pernambuco e acende alerta

             Um estudo recente sobre políticas educacionais acendeu um alerta preocupante no Sertão do Moxotó. O município de Sertânia apresentou o maior retrocesso nos índices de alfabetização de todo o estado de Pernambuco, na contramão do avanço registrado em nível estadual e nacional. Um retrato negativo para a gestão da prefeita Pollyanna Abreu (PSD).

De acordo com dados do Índice de Compromisso com a Alfabetização (ICA), divulgados pelo Ministério da Educação e pelo Inep, apenas 43% das crianças do 2º ano da rede pública municipal estavam alfabetizadas em 2025. O número representa uma queda significativa em relação a 2023, quando o índice era de 59%.

O cenário chama ainda mais atenção quando comparado ao desempenho estadual. Enquanto Pernambuco avançou de 60,4% para 72,4% no mesmo período, Sertânia recuou 16 pontos percentuais, ampliando drasticamente a diferença em relação à média estadual, que hoje supera o município em quase 30 pontos.

O levantamento, assinado pelo pesquisador Álvaro de Góis Melo, aponta que o problema não pode ser atribuído apenas a fatores estruturais ou socioeconômicos. Municípios vizinhos da mesma região, como Inajá e Ibimirim, apresentaram crescimento expressivo no mesmo intervalo, alcançando índices de 83% e 73%, respectivamente.

Entre as possíveis causas do retrocesso, o estudo destaca a ausência de políticas eficazes de recomposição da aprendizagem após a pandemia, descontinuidade administrativa, fragilidade na formação de professores alfabetizadores e desafios relacionados ao contexto socioeconômico local.

Outro ponto crítico apontado é o não cumprimento das metas previstas no Plano Municipal de Educação, instituído em 2015, que previa avanços consistentes na alfabetização ao longo da última década.

O diagnóstico também evidencia o tamanho do desafio para os próximos anos. Para atingir a meta nacional de 80% de crianças alfabetizadas até 2030, Sertânia precisará crescer, em média, 7,4 pontos percentuais por ano — um ritmo muito superior ao já registrado pelo município.

Especialistas defendem que a reversão do quadro passa por ações urgentes, como monitoramento contínuo da aprendizagem, fortalecimento da formação docente, adoção de materiais estruturados e maior transparência na gestão educacional.

Apesar do cenário crítico, o estudo ressalta que a recuperação é possível, desde que haja mudança na condução das políticas públicas educacionais e prioridade na alfabetização das crianças. 

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