domingo, 5 de abril de 2026

Mudança de partidos sacode a Alepe e redefine cenário político em Pernambuco

         Com o fim da janela partidária, encerrada na última sexta-feira (3), a Assembleia Legislativa de Pernambuco passa a operar sob uma nova lógica de forças políticas. O período, que permitiu a troca de legenda sem risco de perda de mandato, provocou uma das mais expressivas reconfigurações partidárias dos últimos anos no Legislativo estadual.

Ao longo de um mês — entre 5 de março e o início de abril —, 28 dos 49 deputados estaduais optaram por mudar de sigla, evidenciando um movimento articulado de reposicionamento político com impactos diretos na correlação de forças dentro da Casa.

O principal destaque desse processo foi o crescimento do PSD, partido liderado em Pernambuco pela governadora Raquel Lyra. A legenda se consolidou como uma das maiores bancadas da Alepe ao atrair nomes de diferentes espectros políticos, como Débora Almeida e Izaías Régis (ex-PSDB), Joãozinho Tenório (ex-PRD), Aglailson Victor (ex-PSB), Jarbas Filho (ex-MDB), além de Socorro Pimentel e Romero Sales Filho (ex-União Brasil) e Antônio Moraes (ex-PP).

Outro partido que saiu fortalecido foi o Podemos, que ampliou significativamente sua presença parlamentar. A sigla recebeu Gustavo Gouveia, Wanderson Florêncio, Luciano Duque e Fabrízio Ferraz, todos oriundos do Solidariedade, além de Edson Vieira (ex-União Brasil), Mário Ricardo (ex-Republicanos) e Jefferson Timóteo (ex-PP).

Mesmo tendo registrado perdas, o Progressistas (PP) também conseguiu expandir sua bancada com a chegada de Joel da Harpa (ex-PL), Gleide Ângelo, France Hacker e Danilo Godoy, estes três últimos vindos do PSB.

Já o PSB, comandado no estado pelo prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, também protagonizou movimentações estratégicas ao filiar Diogo Moraes (ex-PSDB), Waldemar Borges (ex-MDB) e Romero Albuquerque (ex-União Brasil).

Outras mudanças relevantes incluem a ida do presidente da Alepe, Álvaro Porto, do PSDB para o MDB, além da migração de Zé Queiroz (ex-PDT) para a mesma legenda. O PT também ganhou reforços com as filiações de Dani Portela (ex-Psol) e João Paulo Costa (ex-PCdoB). Já o Partido Novo passa a ter, pela primeira vez, representação na Casa com a chegada de Renato Antunes (ex-PL). Completando o cenário, Junior Matuto trocou o PRD pelo Republicanos.

Diante desse novo arranjo partidário, analistas políticos avaliam que a reorganização interna das bancadas deve influenciar diretamente o ritmo das votações, a formação de blocos e a condução das pautas estratégicas ao longo do ano legislativo, abrindo espaço para novas alianças e disputas dentro do Parlamento pernambucano. 

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