quarta-feira, 8 de abril de 2026

Falta de quórum trava novamente votação sobre remanejamento orçamentário na Alepe

         A instabilidade nas articulações políticas da Assembleia Legislativa de Pernambuco voltou a impactar diretamente a pauta econômica do Estado. Pela segunda vez consecutiva, a votação da redação final do Projeto de Lei que define a margem de remanejamento da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi adiada por ausência de quórum no plenário.

Na sessão realizada nesta quarta-feira (8), apenas seis dos 49 deputados estaduais compareceram, número insuficiente para a abertura dos trabalhos, que exige a presença mínima de um quinto dos parlamentares — ou seja, nove deputados.

Entre os presentes estavam o presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), além dos parlamentares João Paulo (PT), João Paulo Costa (PT) e Romero Albuquerque (PSB). Pela base governista, marcaram presença Luciano Duque (Podemos) e Nino de Enoque (PL).

Diante da ausência de quórum, Álvaro Porto aguardou por cerca de 20 minutos antes de encerrar oficialmente a sessão, conforme determina o regimento interno da Casa. O impasse evidencia o clima de tensão entre Legislativo e Executivo em torno da proposta orçamentária.

O centro da divergência está na definição do percentual de remanejamento dos recursos públicos. A governadora Raquel Lyra defende a autorização para movimentar até 20% do orçamento sem necessidade de nova aprovação legislativa. Já o texto que tramitou na Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação (CFOT) reduziu esse limite para 10%.

Na semana anterior, o cenário já havia demonstrado sinais de impasse, quando deputados da própria base governista deixaram o plenário, inviabilizando a votação. Na ocasião, a Assembleia manteve o veto da governadora ao percentual de 10% e aprovou a LOA de 2026 sem estabelecer qualquer margem automática de remanejamento.

O projeto que propõe o índice de 20% chegou a ser aprovado na comissão, mas a votação inicial foi posteriormente anulada pela Mesa Diretora, sob o argumento de que o tema não constava na Ordem do Dia.

Com o novo adiamento, permanece indefinida a margem de flexibilidade orçamentária do Estado, ampliando a incerteza sobre a execução financeira do próximo exercício e mantendo o embate político em aberto dentro da Alepe. 

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