sábado, 18 de abril de 2026

Alta de casos respiratórios leva UTIs pediátricas ao limite em Pernambuco

             O avanço antecipado das infecções respiratórias entre crianças tem colocado a rede pública de saúde de Pernambuco sob forte pressão. Dados recentes da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco indicam que a ocupação dos leitos de UTI pediátrica chegou a 100%, enquanto as unidades neonatais operam com 93% de capacidade, configurando um cenário crítico de atendimento.

De acordo com o secretário executivo de Gestão Estratégica, Anderson Oliveira, o percentual máximo de ocupação reflete a ausência momentânea de vagas disponíveis, embora haja variações ao longo do dia. “Esse índice significa que, naquele momento específico, não há leitos livres, mas a dinâmica muda conforme altas e transferências”, explicou.

A maior pressão sobre o sistema está concentrada na primeira macrorregião de saúde, que inclui a Região Metropolitana do Recife e áreas da Zona da Mata. Segundo o gestor, essa região concentra entre 85% e 90% das solicitações por leitos de terapia intensiva pediátrica.

O aumento da demanda está diretamente ligado à circulação intensificada de vírus respiratórios, especialmente em quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Apesar de esperado dentro do calendário sazonal, o fenômeno surpreende pela antecipação. “Estamos lidando com um cenário que se comporta como se estivéssemos cerca de oito semanas à frente do previsto”, afirmou Anderson Oliveira.

Mesmo com a elevada taxa de ocupação, a SES-PE ressalta que não há colapso em unidades específicas, mas sim uma pressão generalizada. A fila por leitos, que chegou a registrar cerca de 58 crianças, apresentou redução para 39 pacientes, evidenciando a rotatividade no sistema.

Para enfrentar a demanda crescente, o estado intensificou a abertura de novos leitos desde o período do carnaval, somando cerca de 300 novas vagas de UTI. Atualmente, Pernambuco conta com 554 leitos destinados ao atendimento de casos relacionados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Entre as ações recentes, destaca-se a ampliação da capacidade no Hospital da Mulher do Agreste, em Caruaru, que recebeu novos leitos de UTI neonatal.

Apesar dos esforços, a gestão estadual reconhece os limites estruturais da rede. “Existe um ponto em que a capacidade de expansão não acompanha o ritmo da demanda. A rede pode, sim, entrar em sobrecarga”, alertou o secretário.

O cenário reforça a necessidade de atenção redobrada com medidas preventivas e acompanhamento dos casos, especialmente entre o público infantil, mais vulnerável às complicações respiratórias. 

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