Em
um esforço institucional para revisitar um dos períodos mais sensíveis da
história brasileira, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) apresentará,
no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de uma investigação que
lança luz sobre os efeitos da Ditadura Militar no Brasil dentro do ambiente
universitário.
A
data escolhida marca simbolicamente o aniversário do golpe de 1964, que
instaurou o regime autoritário no país. O evento, intitulado “A UFPE e o
compromisso com as memórias”, será realizado às 9h, no Auditório João
Alfredo, na reitoria da instituição, reunindo autoridades acadêmicas,
pesquisadores, representantes de entidades e vítimas da repressão.
De
acordo com levantamento conduzido pela Comissão da Verdade, Memória e Reparação
da universidade — iniciada em junho de 2025 — ao menos 649 pessoas ligadas à
UFPE, entre professores, estudantes e técnicos, foram alvo de práticas
repressivas durante o regime. As medidas incluíam desde monitoramento e pedidos
de informação até sanções mais severas, como cancelamento de bolsas, expulsões
e demissões.
Os
dados também revelam que 132 integrantes da comunidade acadêmica foram presos
ou detidos, além da confirmação de pelo menos seis estudantes mortos em
decorrência da repressão política.
O
evento também contará com a participação do escritor Sidney Rocha e da ativista
Amparo Araújo, além de familiares e vítimas diretas das violações ocorridas no
período.
Entre
os depoimentos esperados está o do advogado Marcelo Santa Cruz, que foi expulso
do curso de Direito durante a Ditadura e hoje integra a comissão responsável
pelo levantamento histórico.
A
programação inclui ainda a palestra “Universidade, Memória e Reparação”,
ministrada pela professora Ana Paula Brito, que abordará o papel das
instituições acadêmicas na preservação da memória e na promoção da justiça
histórica.
Como
parte das ações, será lançado um conjunto de vídeos que resgatam a trajetória
dos estudantes da UFPE mortos pela repressão. As produções, com cerca de três
minutos cada, começarão a ser exibidas no mesmo dia, às 18h, pela TV
universitária, ampliando o alcance das narrativas e fortalecendo o compromisso
com a memória coletiva.
A iniciativa reforça o papel da universidade como espaço de reflexão crítica e construção histórica, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de preservar a memória para evitar a repetição de violações no futuro.
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