sábado, 28 de março de 2026

UFPE resgata memória da Ditadura e revela impacto da repressão sobre comunidade acadêmica

            Em um esforço institucional para revisitar um dos períodos mais sensíveis da história brasileira, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) apresentará, no próximo dia 31 de março, os resultados parciais de uma investigação que lança luz sobre os efeitos da Ditadura Militar no Brasil dentro do ambiente universitário.

A data escolhida marca simbolicamente o aniversário do golpe de 1964, que instaurou o regime autoritário no país. O evento, intitulado “A UFPE e o compromisso com as memórias”, será realizado às 9h, no Auditório João Alfredo, na reitoria da instituição, reunindo autoridades acadêmicas, pesquisadores, representantes de entidades e vítimas da repressão.

De acordo com levantamento conduzido pela Comissão da Verdade, Memória e Reparação da universidade — iniciada em junho de 2025 — ao menos 649 pessoas ligadas à UFPE, entre professores, estudantes e técnicos, foram alvo de práticas repressivas durante o regime. As medidas incluíam desde monitoramento e pedidos de informação até sanções mais severas, como cancelamento de bolsas, expulsões e demissões.

Os dados também revelam que 132 integrantes da comunidade acadêmica foram presos ou detidos, além da confirmação de pelo menos seis estudantes mortos em decorrência da repressão política.

         A apresentação dos resultados será acompanhada por debates sobre memória, justiça e reparação, além do anúncio das próximas etapas da investigação. A mesa de abertura contará com a presença do reitor Alfredo Gomes, do vice-reitor Moacyr Araújo, do presidente da comissão, Bruno Kawai, além de nomes como Socorro Ferraz e Márcia Ângela da Silva Aguiar.

O evento também contará com a participação do escritor Sidney Rocha e da ativista Amparo Araújo, além de familiares e vítimas diretas das violações ocorridas no período.

Entre os depoimentos esperados está o do advogado Marcelo Santa Cruz, que foi expulso do curso de Direito durante a Ditadura e hoje integra a comissão responsável pelo levantamento histórico.

A programação inclui ainda a palestra “Universidade, Memória e Reparação”, ministrada pela professora Ana Paula Brito, que abordará o papel das instituições acadêmicas na preservação da memória e na promoção da justiça histórica.

Como parte das ações, será lançado um conjunto de vídeos que resgatam a trajetória dos estudantes da UFPE mortos pela repressão. As produções, com cerca de três minutos cada, começarão a ser exibidas no mesmo dia, às 18h, pela TV universitária, ampliando o alcance das narrativas e fortalecendo o compromisso com a memória coletiva.

A iniciativa reforça o papel da universidade como espaço de reflexão crítica e construção histórica, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de preservar a memória para evitar a repetição de violações no futuro. 

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