quarta-feira, 25 de março de 2026

Inclusão de deputadas em álbum policial levanta suspeita de discriminação e gera reação em Pernambuco

           Um procedimento adotado pela Polícia Civil de Pernambuco está no centro de uma controvérsia que envolve possíveis falhas técnicas e indícios de discriminação institucional. A utilização indevida das imagens das deputadas federais Erika Hilton e Duda Salabert em um álbum de reconhecimento fotográfico de suspeitos de roubo, no Recife, provocou reação de autoridades e abriu debate sobre os protocolos adotados em investigações criminais.

O caso foi identificado pela Defensoria Pública de Pernambuco, que acionou as parlamentares após analisar um processo relacionado a um roubo de celular. No material utilizado para reconhecimento, além de outras pessoas, constavam as fotos das duas deputadas, sem qualquer vínculo com o crime investigado.

A defensora pública Gina Muniz classificou o episódio como grave e destacou indícios de critérios discriminatórios na seleção das imagens.

Segundo ela, o caso pode envolver transfobia e racismo institucional, uma vez que ambas as parlamentares são mulheres trans e uma delas, Erika Hilton, é também negra.

A defensora ressaltou que a inclusão indevida das imagens compromete a legalidade do processo e pode gerar consequências graves, como o risco de reconhecimento equivocado e eventual condenação de pessoas inocentes.

De acordo com a Defensoria, o procedimento adotado contraria o que estabelece o artigo 226 do Código de Processo Penal, que define critérios rigorosos para o reconhecimento de suspeitos.

Entre as exigências legais estão a necessidade de descrição prévia do suspeito, a apresentação de pessoas com características semelhantes e a formalização detalhada do ato, com acompanhamento de testemunhas.

Diante das inconsistências, a Defensoria solicitou a nulidade das provas obtidas a partir do reconhecimento e pediu esclarecimentos formais sobre a origem das imagens inseridas no álbum policial.

A repercussão do caso levou a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, a se manifestar publicamente. Em posicionamento nas redes sociais, ela classificou o episódio como inadmissível e determinou a abertura de investigação.

A apuração será conduzida pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, com o objetivo de identificar responsabilidades e revisar procedimentos internos.

A governadora também destacou que práticas discriminatórias não serão toleradas na administração pública estadual.

O episódio reacende discussões sobre a utilização de reconhecimento fotográfico em investigações policiais e os riscos associados a falhas metodológicas, especialmente quando envolvem critérios subjetivos ou ausência de padronização.

Especialistas apontam que erros nesse tipo de procedimento podem comprometer a justiça e reforçar desigualdades estruturais, exigindo maior rigor técnico e respeito aos direitos fundamentais. 

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