sábado, 14 de março de 2026

Governo Lula anuncia pacote de medidas para ampliar proteção e direitos dos animais no Brasil

             O governo Lula apresentou um conjunto de novas iniciativas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de proteção animal no país. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (12), durante evento que marcou a programação da Semana Nacional dos Animais, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em Brasília.

As medidas incluem a ampliação das multas por maus-tratos, a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais, a implementação de uma política nacional para acolhimento de animais resgatados em desastres e o lançamento de instrumentos de resposta emergencial voltados à proteção da fauna. O pacote também inaugura um processo participativo que deverá orientar as diretrizes das políticas públicas voltadas aos direitos dos animais no Brasil entre 2026 e 2030.

Entre as principais novidades está a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais, que será estruturada como um espaço permanente de participação social e diálogo entre governo, sociedade civil e gestores públicos.

A proposta é ampliar a escuta da sociedade e fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios na formulação de políticas voltadas à proteção animal.

Durante a cerimônia, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que a iniciativa busca construir políticas públicas com participação direta da sociedade.

                Segundo ela, a conferência permitirá que defensores da causa animal contribuam ativamente na elaboração das estratégias nacionais voltadas ao tema.

Outro anúncio foi a edição de um decreto que amplia significativamente as multas aplicadas em casos de maus-tratos a animais. A medida recebeu o nome de “Justiça por Orelha”, em referência à morte do cão comunitário conhecido como Orelha, registrada em janeiro de 2026.

O novo decreto altera o Decreto nº 6.514/2008, elevando o valor das penalidades. As multas, que anteriormente variavam de R$ 500 a R$ 3 mil, passam a variar entre R$ 1.500 e R$ 50 mil, podendo alcançar R$ 1 milhão em casos considerados agravados.

Durante o evento, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ressaltou que o endurecimento das penalidades responde à mobilização social contra a violência animal.

O evento também marcou a sanção da Lei nº 15.355/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A legislação cria a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar).

A norma estabelece diretrizes nacionais para organizar ações de resgate, atendimento e acolhimento de animais domésticos e silvestres em situações de emergência, acidentes e desastres ambientais. A iniciativa busca reduzir a mortalidade animal em eventos extremos, cada vez mais frequentes no país em decorrência das mudanças climáticas.

Entre as ações anunciadas também está o Programa Nacional SamuVet, voltado ao fortalecimento da capacidade de resposta do poder público em situações críticas que afetam a fauna.

A iniciativa será coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tem como objetivo integrar a proteção animal às estratégias nacionais de prevenção de riscos, gestão de crises e resposta a desastres ambientais.

O programa também deverá oferecer apoio técnico e operacional a estados e municípios em ocorrências de grande impacto ambiental, ampliando a estrutura de atendimento emergencial para animais afetados por catástrofes.

Especialistas avaliam que o pacote de medidas representa um avanço institucional na consolidação de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal no Brasil, ao integrar ações ambientais, sociais e de defesa civil em uma agenda comum de proteção da fauna. 

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