O
caso, que teve origem em uma denúncia feita pela personal stylist Silvia
Tavares de Souza, será encaminhado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, onde a
sentença proferida pela Vara Única de Buíque passará por reavaliação.
A
defesa da denunciante manifestou “tristeza e surpresa” diante da decisão
judicial. Segundo o advogado Rafael Nunes, que atua como assistente de
acusação, o entendimento do juiz Felipe Marinho dos Santos será contestado nas
instâncias superiores.
De
acordo com a sentença, as provas periciais reunidas ao longo da investigação
não foram consideradas suficientes para comprovar a versão apresentada pela
denunciante. O magistrado também apontou inconsistências nos elementos
analisados, o que teria gerado dúvida quanto aos fatos narrados.
A
defesa de Silvia, no entanto, rebate essa avaliação e sustenta que há um
conjunto robusto de indícios no processo, incluindo material genético,
registros digitais apagados e fotografias, além da existência de outros
inquéritos relacionados ao religioso. Para os advogados, esses elementos
reforçam a necessidade de revisão da decisão.
“Estávamos muito confiantes da condenação, porque a
produção de provas não deixou qualquer tipo de dúvida. Resta à defesa o
recurso. Iremos devolver a matéria para o segundo grau, para o Tribunal de
Justiça de Pernambuco (TJPE), que dessa vez será julgado por um colegiado. São
desembargadores que têm o poder de reformar essa sentença. É importante deixar
claro que a palavra de Sylvia não é isolada. Então, iremos recorrer. Tenho
certeza de que o tribunal irá reformar essa decisão”, declarou o advogado Rafael Nunes.
O
episódio remonta a 2022, quando a denúncia foi registrada no município de
Buíque. À época, o padre negou as acusações. A denunciante relatou que mantinha
proximidade com o religioso desde 2019, período em que passou a frequentar a Fundação
Terra, em Arcoverde.
Em
2023, o caso ganhou maior visibilidade após a denunciante buscar apoio
institucional no Palácio do Campo das Princesas, cobrando avanços nas
investigações.
Os
acusados estavam presos desde o ano passado — o religioso em regime domiciliar
—, e, com a decisão judicial, as prisões devem ser revogadas.
Até o momento, o Tribunal de Justiça de Pernambuco não se manifestou oficialmente sobre o caso. A defesa da denunciante também aguarda um possível recurso por parte do Ministério Público de Pernambuco, o que poderá ampliar a discussão jurídica em torno do processo. Com informações da CBN Recife/Foto: Lucas Arruda
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