terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Tragédia em Minas: chuvas históricas deixam mortos, desaparecidos e centenas de desabrigados

          Um rastro de destruição marca a Zona da Mata mineira após o volume extraordinário de chuvas que atingiu a região nas últimas horas. Pelo menos 23 pessoas perderam a vida, dezenas seguem desaparecidas e mais de 400 moradores precisaram deixar suas casas diante do avanço das águas e do risco iminente de novos deslizamentos.

Os dados foram confirmados pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais nesta terça-feira (24). O levantamento oficial aponta 16 mortes em Juiz de Fora e outras 7 em Ubá.

O temporal provocou a elevação brusca do nível do Rio Paraibuna, que transbordou e agravou o cenário de enchentes, alagamentos generalizados, desabamentos de edificações e deslizamentos de terra. Equipes de resgate seguem mobilizadas em diversas frentes, atuando em ocorrências de soterramento, risco estrutural em encostas e áreas próximas ao leito do rio.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, decretou estado de calamidade pública diante da “gravíssima situação” enfrentada pelo município. Segundo a gestora, este já é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, que possui cerca de 540 mil habitantes. Foram registrados 584 milímetros de precipitação — volume equivalente ao dobro da média prevista para todo o mês.

Em pronunciamento oficial, a prefeita classificou o cenário como “extremo”, destacando que diversos bairros permanecem isolados. Pelo menos 20 deslizamentos de terra foram contabilizados até o momento.

A Defesa Civil municipal estima que aproximadamente 440 pessoas foram diretamente afetadas e estão recebendo assistência da Prefeitura, com oferta de abrigo e acolhimento temporário.

As buscas por desaparecidos continuam. O Corpo de Bombeiros confirmou que ainda procura “dezenas” de pessoas, enquanto o monitoramento meteorológico mantém alerta para a possibilidade de novas instabilidades.

A tragédia reacende o debate sobre ocupação de áreas de risco, infraestrutura urbana e políticas de prevenção em regiões historicamente vulneráveis a eventos climáticos extremos. 

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