Os
procedimentos revelam um cenário que combina negligência administrativa,
descumprimento de contratos e riscos diretos à população, especialmente a
estudantes da rede pública, além de possíveis irregularidades na condução da
política de pessoal do município.
O
Inquérito Civil nº 02040.000.250/2025 apura as circunstâncias de um acidente
fatal ocorrido em março de 2025, na BR-316, envolvendo um ônibus responsável
pelo transporte de estudantes da rede estadual, sob gestão da Gerência Regional
de Educação (GRE) Sertão do Araripe.
Segundo
o MPPE, o veículo apresentava um conjunto de irregularidades que o tornavam totalmente
incompatível com o serviço prestado:
Frota
envelhecida: o ônibus
foi fabricado em 1991, acumulando 33 anos de uso, quando o contrato previa
veículos com no máximo 10 anos.
Falhas
mecânicas graves: perícias
e fiscalizações apontaram deficiência no sistema de freios, pneus em condições
inadequadas, extintores de incêndio vencidos e ausência de cintos de segurança.
Irregularidade
administrativa: o
veículo estava registrado como particular, e o motorista não possuía o curso
obrigatório para transporte escolar.
O
ponto mais sensível da investigação, segundo o MPPE, é que mesmo após o
acidente fatal — e apesar de relatórios internos já alertarem sobre as péssimas
condições da frota — o Poder Público realizou um pagamento de R$ 590.777,76 à
empresa MV Empreendimentos LTDA, apenas oito dias após a tragédia. O Ministério
Público agora apura responsabilidades administrativas, contratuais e eventuais
danos ao erário.
Em
paralelo, o MPPE instaurou outro inquérito para investigar a manutenção de
1.950 servidores temporários pela Prefeitura de Araripina, mesmo com a
existência de um concurso público homologado em 2024 (Edital nº 02/2024).
De
acordo com a Promotoria, a prática tem resultado na preterição de candidatos
aprovados, substituídos por vínculos precários e indicações políticas,
inclusive em áreas essenciais.
Os
números detalhados chamam atenção: na Educação, são 1.211 contratos
temporários. Já na Saúde, tem 331 contratados, ocupando funções que deveriam
ser preenchidas por enfermeiros e técnicos concursados.
Diante
da gravidade do quadro, o Ministério Público emitiu um ultimato à gestão
municipal, determinando que a prefeitura apresente um cronograma imediato para
desligamento dos temporários e nomeação dos aprovados no concurso.
As investigações seguem em andamento e podem resultar em ações judiciais, responsabilizações administrativas e sanções aos gestores, caso as irregularidades sejam confirmadas.
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