segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Movimento popular lança abaixo-assinado contra leilão do Batalhão em Floresta

                 A possível venda de um dos prédios mais simbólicos de Floresta, no Sertão pernambucano, tem provocado forte reação popular e reacendido o debate sobre preservação do patrimônio histórico no estado. Um movimento liderado pelo Grupo Amigos do Batalhão lançou um abaixo-assinado digital com o objetivo de barrar o leilão do imóvel conhecido como Batalhão ou Antigo Pensionato, iniciativa que ganhou o nome de “Diga Não à Venda do Batalhão”.

A mobilização busca pressionar o Governo de Pernambuco a suspender a comercialização do prédio e a retomar o projeto originalmente anunciado: a conclusão da reforma e a ativação do Centro Cultural Capitão Antônio David Novaes, equipamento que, segundo os defensores da causa, é fundamental para a memória, a cultura e o potencial turístico da cidade.

O imóvel possui elevado valor histórico e afetivo para a população florestana. Em 2016, o prédio foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico do Estado de Pernambuco pela FUNDARPE, o que lhe garante proteção legal e impõe limites rigorosos quanto ao seu uso e alienação. Após o tombamento, o antigo Batalhão passou a ser denominado Centro Cultural Capitão Antônio David Novaes, reforçando a destinação cultural que passou a ser defendida pela sociedade civil.

Naquele período, chegaram a ser iniciadas ações concretas para a recuperação do espaço, incluindo intervenções estruturais e a proposta de implantação de um teatro no mesmo terreno, o que gerou expectativa de que o prédio se tornaria um polo de cultura, educação e lazer para Floresta e região.

No entanto, o cenário mudou no final de 2025. Em 23 de dezembro, a governadora Raquel Lyra sancionou a Lei nº 19.140, que autoriza o leilão do imóvel. A decisão foi recebida com surpresa e críticas por moradores, artistas, historiadores e defensores do patrimônio, que questionam a celeridade da tramitação da lei e apontam a ausência de debate público sobre o destino de um bem tombado.

De acordo com informações apuradas pela reportagem do Blog do Elvys, em 2021 foram investidos mais de R$ 500 mil na obra de recuperação do prédio. À época, o orçamento total estimado para a conclusão completa da reforma girava em torno de R$ 3 milhões, valor considerado viável diante da relevância histórica, cultural e social do imóvel. A interrupção das obras e a possibilidade de leilão levantam o temor de que os recursos já aplicados se tornem inúteis.

Para os integrantes do movimento, vender o Batalhão representa não apenas a perda de um prédio histórico, mas também o abandono de um projeto coletivo que poderia fortalecer a identidade cultural de Floresta e impulsionar o turismo local. O abaixo-assinado segue mobilizando apoios e reacendendo o debate sobre o papel do poder público na preservação da memória e do patrimônio pernambucano. 

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