quinta-feira, 2 de março de 2023

Prefeitura de Garanhuns desafia Justiça e descumpre decisão da Vara da Fazenda Pública

                 O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), estaria descumprindo uma decisão do juiz Glacidelson Antônio, Vara da Fazenda Pública, que determinou a mudança nas cores de kits escolares, uniformes de estudantes e prédios públicos do município a partir do início de 2023, abstendo-se de utilizar as cores vermelha e amarela por se remeterem as cores do PSB, partido do prefeito, bem como o uso das referidas cores em prédios públicos e logradouros municipais, como revela o site V&C Garanhuns.

A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns acusou a Prefeitura de descumprir a decisão em expediente endereçado ao titular da Vara da Fazenda. A contestação do MPPE atendeu a um despacho da Justiça que intimou a 2ª Promotoria a se manifestar nos autos sobre a contestação feita pela prefeitura a respeito do assunto.

Em setembro de 2022, atendendo parcialmente a uma ação civil pública impetrada pela 2ª Promotoria, a Vara da Fazenda Pública tinha determinado que a partir de 1º.01.2023 fosse vedada a utilização de materiais escolares e uniformes aos estudantes de escolas públicas e aos agentes públicos municipais na cor amarela e vermelha, bem como o uso das referidas cores em prédios públicos e logradouros municipais.

Acontece que, segundo o MPPE, passado em dois meses o prazo dado pela Justiça, a prefeitura nem mudou as cores do uniforme nas escolas municipais, nem tampouco repintou todos os prédios públicos e logradouros de modo a suprimir a conjunção de tons (amarelo branco e vermelho) que remete às cores do PSB.

"Há flagrante desrespeito do Município de Garanhuns à decisão proferida por esse juízo, cuja prática configura contempt of court, de modo a desprestigiar o Poder Judiciário, constituindo ato atentatório à dignidade da Justiça", diz a réplica do MPPE endereçada à Justiça. 

O Ministério Público ainda pediu o aumento da multa diária por descumprimento da decisão, de R$ 10 mil dia, para R$ 30 mil por dia, além da intimação pessoal do prefeito Sivaldo Albino para cumprir o determinado pela Justiça, sob pena de multa diária de 10 mil reais. A 2ª Promotoria também pontou na réplica que fez a Justiça, que não tem interesse na audiência de conciliação ante a flagrante ofensa à Constituição Federal, impassível de convalidação.

Uma Lei Municipal n° 3.859/2012, estabelece as cores branca, vermelha, azul e preta, de forma isolada ou cumulativa como determinantes para pintura de prédios públicos em Garanhuns. Por analogia, o MPPE estendeu o entendimento para que a legislação alcançasse o caso dos coletes dos mototaxistas e dos uniformes escolares.

Em sua defesa a prefeitura argumentou que a troca das cores nos uniformes dos estudantes iria acarretar prejuízo aos cofres públicos

"A exigência de um procedimento licitatório imediato, seria lesivo ao princípio da economicidade e da eficiência, ambos também de alçada constitucional e que não poderiam ser anulados pela decisão judicial", disse o Governo Municipal nos autos

Na réplica, o MPPE ressaltou que não é novidade para nenhum gestor que a escolha pelo uso indiscriminado e exaustivo da cor vermelha e amarela (alusivas ao PSB) pela gestão fere de forma direta o princípio da impessoalidade, o qual deve orientar as decisões de qualquer agente público.

A última movimentação da ação civil pública impetrada pelo MPPE ocorreu dia 27 de fevereiro quando a 2ª promotoria entregou a réplica à contestação da Prefeitura de Garanhuns, portanto, os novos pedidos do MPPE, como o aumento da multa e a intimação pessoal do prefeito Sivaldo Albino, ainda não foram analisados pelo juiz titular da Vara da Fazenda Pública, o que deve acontecer nos próximos dias. 

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