terça-feira, 7 de novembro de 2017

Câmara de Buíque vota novamente contas de 2006 de Arquimedes em clima de desconfiança

          Nesta quinta-feira (09), a Câmara de Vereadores de Buíque promete se tornar em mais um cenário de embates entre a lei e a vontade dos políticos locais. Motivo: pode ser colocado em pauta as prestações de contas do exercício de 2006 do prefeito Arquimedes Valença (PMDB), que na época teve o pedido de rejeição do Tribunal de Contas do Estado negado pela Câmara de Vereadores. As contas já estão na casa legislativa e só depende da Mesa Diretora colocar elas na ordem do dia.

Na época o TCE apontou várias irregularidades do então prefeito, hoje eleito para o quarto mandato, nas prestações de contas daquele ano. Na lista estavam a não execução de serviços de limpeza urbana da ordem de R$ 682.116,60 apontado por laudo de engenharia do tribunal, graves irregularidades detectadas pela auditoria nas contribuições previdenciárias, irregularidades constatadas nos processos licitatórios, além dos termos do termos do Parecer MPCO nº 782/07.

Com base na auditoria, e nos considerandos, a então conselheira relatora, Tereza Duere, julgou irregulares as contas do Ordenador de Despesas, Sr. Arquimedes Guedes Valença, determinando que restituísse aos cofres públicos o montante de R$ 682.116,60, atualizado monetariamente a partir do primeiro dia do exercício financeiro subseqüente ao das contas ora analisadas. Apesar de tudo isso, a Câmara de Vereadores na época aprovou as prestações de contas.

Diante do fato, o Ministério Público de Contas recorreu em defesa do parecer do TCE que recomendava a rejeição das contas e agora, nesta quinta-feira (09), as famosas prestações de contas do prefeito Arquimedes Valença de 11 anos atrás (2006), poderão entrar na pauta do dia e os atuais vereadores terão a oportunidade de fazer valer a auditoria do TCE e do MPCO ou ignorar tudo isso e aprovar novamente as contas.

Nos bastidores a dúvida é qual o preço político que Buíque irá pagar com essa votação que está prestes a acontecer na manhã da quinta-feira. Vereadores da oposição e governistas estão em ebulição, não se sabe se para aprovar o parecer do TCE/MPCO ou enterrar de vez as fiscalizações do TCE e aprovar as contas consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas. Nas rodas políticas de Buíque reina a desconfiança sobre qual o peso de cada voto dos vereadores que hoje fazem a Casa Jorge Domingos Ramos nesta votação que promete mexer com a cidade e tem resultado incerto. A Sessão Ordinária da Câmara de Buíque acontece pela manhã. 

Para aprovar ou rejeitar o parecer do TCE são necessários 2/3 dos votos da Câmara de Vereadores, ou seja, Arquimedes Valença precisa contar com 10 votos favoráveis para aprovar novamente suas contas. 

Para completar o inferno astral do atua prefeito de Buíque, já estão a caminho  da Câmara de Vereadores as prestações de contas de 2005 e 2007, também rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado, mas que teve recurso por parte da defesa do prefeito e agora está prestes também a ir à votação na Casa Jorge Domingos Ramos.