A
discussão ocorreu durante o julgamento sobre a validade da uma decisão que
envolve a extinção de tribunais de contas de municípios. O estopim para o
início da briga ocorreu após Mendes criticar a situação financeira do Rio de
Janeiro, estado de origem de Barroso.
Barroso
questionou se, no Mato Grosso, estado de Gilmar Mendes “está tudo muito preso”,
em referência aos políticos presos no Rio de Janeiro e complementou dizendo:
“Nós
prendemos, tem gente que solta”. Em resposta, Gilmar disse que o colega, ao
chegar ao STF, “soltou José Dirceu”, ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da
Silva e condenado no caso do Mensalão.
Em
seguida, os ministros foram interrompidos pela presidente da Corte, ministra
Cármen Lúcia, mas voltaram a discutir.
Na
segunda parte do bate-boca, ao explicar as razões pelas quais concedeu indulto
ao ex-ministro José Dirceu, Barroso acusou Mendes de ser parcial em suas
decisões.
“Não
transfira para mim essa parceria que Vossa Excelência tem com a leniência em
relação a criminalidade do colarinho branco”, afirmou.
Ao
rebater as declarações de Barroso, Gilmar Mendes disse que não é “advogado de
bandidos internacionais”, em referência ao trabalho de Barroso como defensor do
ex-ativista italiano Cesare Battisti, antes de ser nomeado ao STF.
Na
tréplica, Barroso disse a Gilmar: “Vossa Excelência vai mudando a
jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, isso é Estado
de compadrio. Juiz não pode ter correligionário”, concluiu.
Para
encerrar a discussão, Cármen Lúcia lembrou aos colegas que eles estavam “no
plenário de um Supremo Tribunal” e que ela gostaria de voltar ao caso em
julgamento.
Após
o bate-boca, o julgamento foi retomado e concluído. Os ministros mantiveram a
decisão da Assembleia Legislativa do Ceará, que extinguiu os tribunais de
contas dos municípios do estado.
