O
ministro da Saúde, Ricardo Barros, declarou, hoje, ao senador Armando Monteiro
(PTB-PE), em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que a
decisão final de produção no país do fator recombinante de coagulação,
essencial no tratamento da hemofilia, será negociada, “de forma transparente”,
com a bancada federal de Pernambuco.
Barros
defende a instalação de uma fábrica do fator recombinante em Maringá, no
Paraná, sua principal base eleitoral, o que, segundo os deputados federais e
senadores pernambucanos, impediria a produção do insumo em Goiana pela empresa
de hemoderivados Hemobrás. Sem o fator recombinante, de alta sofisticação
tecnológica e elevado valor agregado, a estatal se tornará economicamente
inviável, argumentam os parlamentares.
“A
bancada federal de Pernambuco quer construir, sem demagogia, sem espírito
provinciano, sem caráter regionalista, uma solução que permita também à
Hemobrás aprofundar a parceria com a iniciativa privada para fabricar o fator
recombinante. Lutarei até o último momento para que o Polo Farmacoquímico e de
Biotecnologia de Goiana avance nas novas fronteiras tecnológicas”, enfatizou
Armando.
“Não
tomarei nenhuma decisão sem consultar a bancada de Pernambuco. Se for
necessário, irei ao estado para discutir o assunto”, respondeu o ministro da
Saúde. Informou ele que o grupo Shire, parceiro da Hemobrás na fabricação do
fator recombinante, comunicou ao Ministério ter ampliado de US$ 30 milhões para
US$ 300 milhões o valor do seu investimento na conclusão da unidade de Goiana
de produção do fator recombinante.
Nos
debates da audiência pública, o senador petebista alertou Ricardo Barros para
os riscos na atração de investimentos estrangeiros se o Ministério da Saúde vir
a quebrar o contrato da Hemobrás com o grupo Shire, firmado por meio de uma PDP
(Parceria para o Desenvolvimento Produtivo).
