O
presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que considera a candidatura em 2018 do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
"mais provável do que não". O petista não conseguirá ser candidato
caso seja condenado em segunda instância pela Justiça Federal. Ele foi
condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, pelos crimes de
corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A declaração de Maia foi dada após pergunta sobre sua avaliação para o cenário eleitoral em 2018, em evento sobre renovação política em São Paulo, na sede do Insper. O presidente da Câmara disse ainda que o ex-presidente, caso seja candidato, vai fazer uma campanha mais radical à esquerda. "Ele vai querer criar um polo de radicalização para garantir a ida dele para o segundo turno", afirmou.
Também
participou do debate sobre renovação da política brasileira o ex-prefeito de
São Paulo Fernando Haddad. Questionado se a figura de Lula não seria um problema
para a renovação política na esquerda. "É um problema para a direita, para
a esquerda, para todo mundo. É uma figura muito complexa, quase um
cometa!". A plateia riu. Haddad defendeu a habilidade de Lula em criar
pontes e negociar com diversos lados da política e da vida pública.
Sobre
uma possível candidatura à presidência, Haddad desconversou. Já Maia disse que,
se Haddad tivesse sido candidato à Presidência da República, no lugar da
ex-presidente Dilma Rousseff, o partido "não estaria passando pela crise
que passa hoje".
O
presidente da Câmara também comentou que o DEM "precisa primeiro construir
uma mensagem, que tem que vem antes do nome (para a Presidência)."
Curiosamente, Maia também lembrou que em 2010 e 2014 o partido foi
"maltratado pelo PSDB" . "Em 2010, tive que negociar a aliança
com Serra de madrugada. E, em 2014, eles fecharam uma chapa puro sangue",
lembrou.
Reforma. Um
dos maiores pontos de divergência entre os dois convidados foi o distritão.
Maia defendeu a adoção do sistema como regra de transição até 2022 (como ponte
para o distrital misto). "Não acredito que o sistema seja pior do que
existe hoje. O voto majoritário renova mais que o voto proporcional. Como regra
de transição, acho válido", disse o presidente da Câmara.
Já
para Haddad, o distritão atingiria a questão da diversidade na representação
dos congressistas. "Não vai deixar espaço para o aparecimento de minorias
políticas", falou. "A transição não é o distritão. Para mim, a
transição seria o modelo atual sem coligação proporcional", completou. O
petista concorda com Maia a respeito do distrital misto.
O
ex-prefeito sugeriu até que o Supremo Tribunal Federal entrasse em cena para
garantir o fim das coligações já para 2018. Já Maia vê com maus olhos a
intervenção do Judiciário. "Não gosto do Supremo decidindo pelo
Parlamento. Prefiro que Congresso vote ele mesmo o fim das coligações",
declarou o deputado, após a provocação de Haddad.
Haddad
considerou a introdução da ideia do Parlamentarismo no debate sobre reformas
políticas uma "anomalia" - e que apenas admitiria uma consulta
popular para qualquer mudança do tipo. "As mudanças precisam ser
legitimadas pelo voto", disse Haddad. Maia concordou com a hipótese de uma
consulta popular no caso do parlamentarismo crescer como hipótese.
Maia
também pontuou que o sistema brasileiro passa por um longo processo de
desgaste. "A saturação do sistema político brasileiro já acontece há
muitas eleições".
