Pela
primeira vez na história, os deputados federais estão reunidos nesta quarta-feira
(2) para decidir se autorizam ou não o Supremo Tribunal Federal (STF) a
analisar uma denúncia criminal contra o presidente da República. A condição de
réu, da qual Michel Temer quer escapar, é uma realidade para um grupo
significativo de parlamentares que atuarão como juízes no plenário.
Pelo
menos 47
deputados respondem a ações penais (processos) na mais alta corte do
país. Desses, ao menos seis exercem o mandato mesmo condenados à prisão –
inclusive um presidiário. Todos estão aptos a participar da votação.
O
número de réus representa quase 10% dos 513 integrantes da Casa. Eles são acusados
de corrupção, a exemplo de Temer, e outros crimes, como formação de quadrilha,
peculato, delitos contra a administração pública em geral, entre outros.
O
“corpo de magistrados” da Câmara é composto, ainda, por 71 deputados
investigados na Operação Lava Jato, a mesma que motivou a denúncia da
Procuradoria-Geral da República por corrupção e arrastou o presidente para o
centro da crise política. São citados em delações da Odebrecht e de
ex-diretores da Petrobras.
Réus
e alvos de inquéritos (investigações preliminares que podem resultar na
abertura de processos) na Lava Jato fazem parte da bancada suprapartidária dos
parlamentares com contas a prestar à Justiça.
Neste
momento, no plenário da Câmara dos Deputados já foram registradas 226 presenças.
Para votar a autorização do envio do inquérito contra Michel Temer ao Supremo
são precisos 342 votos. Já para rejeitar o envio basta 172 votos, sendo que a
votação só pode ocorrer com 342 parlamentares presentes. Neste instante,
deputados governistas e oposicionistas se revezam na tribuna em discursos
contra e a favor o presidente.
