quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Câmara inicia sessão para autorizar investigação de Temer pelo Supremo

            Pela primeira vez na história, os deputados federais estão reunidos nesta quarta-feira (2) para decidir se autorizam ou não o Supremo Tribunal Federal (STF) a analisar uma denúncia criminal contra o presidente da República. A condição de réu, da qual Michel Temer quer escapar, é uma realidade para um grupo significativo de parlamentares que atuarão como juízes no plenário.

Pelo menos 47 deputados respondem a ações penais (processos) na mais alta corte do país. Desses, ao menos seis exercem o mandato mesmo condenados à prisão – inclusive um presidiário. Todos estão aptos a participar da votação.

O número de réus representa quase 10% dos 513 integrantes da Casa. Eles são acusados de corrupção, a exemplo de Temer, e outros crimes, como formação de quadrilha, peculato, delitos contra a administração pública em geral, entre outros.

O “corpo de magistrados” da Câmara é composto, ainda, por 71 deputados investigados na Operação Lava Jato, a mesma que motivou a denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção e arrastou o presidente para o centro da crise política. São citados em delações da Odebrecht e de ex-diretores da Petrobras.

Réus e alvos de inquéritos (investigações preliminares que podem resultar na abertura de processos) na Lava Jato fazem parte da bancada suprapartidária dos parlamentares com contas a prestar à Justiça. 

Neste momento, no plenário da Câmara dos Deputados já foram registradas 226 presenças. Para votar a autorização do envio do inquérito contra Michel Temer ao Supremo são precisos 342 votos. Já para rejeitar o envio basta 172 votos, sendo que a votação só pode ocorrer com 342 parlamentares presentes. Neste instante, deputados governistas e oposicionistas se revezam na tribuna em discursos contra e a favor o presidente.