De O Globo
Os
ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o
ex-vice governador Tadeu Filippeli — também assessor especial do presidente
Michel Temer — são alvos de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta
terça-feira. Contra os dois foram expedidos mandados de prisão, informou a PF.
Nomeada "Panatenaico", a ação deve cumprir, ao todo, 15 mandados de
busca e apreensão, 10 mandados de prisão temporária e três conduções
coercitivas.
A
operação é baseada em delação premiada da Andrade Gutierrez sobre um esquema de
corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha. De acordo com as investigações,
o superfaturamento na construção chega a quase R$ 900 milhões — com custo
previsto de R$ 600 milhões, o estádio saiu a R$ 1,575 bilhão ao fim de 2014.
Trata-se da arena mais cara de toda a competição.
A
renovação da arena seguiu modelo diferente ao dos outros estádios da Copa do
Mundo do Brasil, financiados por dinheiro público, com empréstimos do BNDES. Na
arena de Brasília, os aportes vieram da Terracap — companhia estatal do DF com
49% de participação da União — embora a companhia não tivesse essa operação
financeira prevista entre suas atividades. Sem estudos prévios de viabilidade
econômica do Mané Garrincha, a Terracap encontra-se em estado de iminente
insolvência.
Segundo
a PF, a suspeita é de que com a intermediação dos operadores, os agentes
públicos tenham realizado um conluio e simulado etapas das da licitação. A
operação também mira agentes públicos, construtores e operadores de propina que
atuaram durante três gestões do governo do Distrito Federal.
O
nome da operação, "Panatenaico", se refere ao Stadium Panatenaico,
sede dos jogos panatenaicos, anteriores aos jogos olímpicos. A arena dos
helênicos, que tinha assentos de madeira, foi toda remodelada em mármore por
Arconte Licurgo, no ano 329 a.C., e ampliado por Herodes Ático, no ano 140 d.C.
Atingiu então a capacidade para 50 mil pessoas. O estádio voltou a receber
obras em 1895, para as Olimpíadas de 1896.
