segunda-feira, 10 de abril de 2017

MTE esclarece sobre ação que paralisou coleta de lixo no Grande Recife

            A Superintendência Regional do Trabalho divulgou hoje nota de esclarecimento em virtude dos últimos fatos que resultaram na paralisação da coleta de lixo no Recife e região metropolitana. O MTE lamenta a forma como alguns setores dos governos municipais responsabilizam o Ministério do Trabalho pelo acúmulo de lixo nas ruas.

Os Auditores Fiscais do Trabalho encontraram trabalhadores da coleta domiciliar de resíduos sendo transportados de forma IRREGULAR em caminhões compactadores, situação esta que gera um evidente risco de acidentes graves ou fatais. Confira a nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Auditoria Fiscal do Trabalho de Pernambuco vem a público esclarecer a população acerca das circunstâncias que resultaram na paralisação da coleta de resíduos no município do Recife e região metropolitana na última semana.

Em ação constante do Planejamento Anual do MTE os Auditores Fiscais do Trabalho encontraram trabalhadores da coleta domiciliar de resíduos sendo transportados de forma IRREGULAR em caminhões compactadores, situação esta que gera um evidente risco de acidentes graves ou fatais. Salientamos que esta situação, inclusive, é proibida há quase 20 anos pelo Código de Trânsito Brasileiro. Diante desta circunstância, coube aos Auditores Fiscais do Trabalho interditar, no dia 31/03/17, o TRANSPORTE IRREGULAR destes trabalhadores (e não a coleta de resíduos, que poderia ser feita de várias outras formas).

Declarações irresponsáveis vem sendo feitas nos veículos de comunicação, no sentido de responsabilizar o Ministério do Trabalho pelo acúmulo de lixo nas ruas, quando supostamente outras medidas menos gravosas poderiam ser aplicadas pela Inspeção do Trabalho.

O Ministério do Trabalho, por meio da Inspeção do Trabalho, não compactua com a submissão de trabalhadores a nenhum tipo de risco de vida no desempenho de suas atividades laborais. Os trabalhadores da coleta de resíduos têm o mesmo direito a um ambiente de trabalho seguro como quaisquer outros. No Brasil, os Auditores Fiscais do Trabalho são investidos de poder/dever institucional para, na seara administrativa, tomar as medidas cabíveis para a contenção de riscos ocupacionais – que, em se tratando de riscos de acidentes graves ou fatais, são a interdição. Trata-se de medida vinculada, da qual os Auditores Fiscais não podem se desvencilhar – em outras palavras, os referidos Auditores não poderiam agir de outra maneira ao encontrar os empregados sendo transportados pendurados em caminhões de coleta de lixo pelas ruas.

Os Auditores Fiscais do Trabalho já haviam salientado às empresas que quaisquer soluções que fossem encontradas não poderiam acarretar riscos adicionais à vida dos trabalhadores, nem mesmo produzir um ambiente de degradância ou jornada exaustiva.

Em Pernambuco, segundo dados do INSS, no ano de 2016 ocorreu em média 01 acidente por dia de trabalho no setor. A maioria destes acidentes está relacionada à queda de trabalhadores dos veículos, resultando em esmagamentos, aprisionamentos, fraturas, atropelamentos e até mortes.

Lamentavelmente, na segunda-feira, dia 03/04/17, (três dias após esta interdição) ocorreu um acidente fatal com trabalhador da coleta na cidade de Presidente Prudente - exatamente nos moldes do que tentamos evitar em Pernambuco. No dia seguinte, 04/04/17, outro trabalhador faleceu atropelado pelo próprio caminhão da coleta em que trabalhava, desta vez no município de Itamaracá-PE. A Inspeção do Trabalho entende que a sociedade não pode fechar os olhos para a penosa situação em que se encontram os coletores de resíduos, devendo se indignar com suas condições periclitantes de trabalho - muito além de com o lixo à sua porta.