Em
interrogatório na Justiça Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
negou as acusações de que atuou para “comprar” o silêncio do ex-diretor da
Petrobrás Nestor Cerveró. O petista afirmou que, nos últimos três anos, tem
sido “vítima de um massacre” com insinuações diárias, pela imprensa, de que
será delatado por empresários e políticos supostamente envolvidos em corrupção.
“O senhor sabe o que é levantar todo dia achando que a imprensa tá na porta de
casa porque vou ser preso?”, questionou.
Lula
afirmou que o ofende “profundamente”a acusação de que o PT é uma organização
criminosa. Argumentou que o partido é o mais importante já criado no País e que
trabalhou para o fortalecimento das instituições, entre elas a Polícia Federal.
O
ex-presidente depõe nesta terça-feira como réu em ação penal na qual é acusado
de ser o mandante de uma operação para viabilizar pagamentos ao ex-diretor da
Petrobrás Nestor Cerveró e evitar que ele firmasse um acordo de delação
premiada com a Lava Jato. A suposta participação de Lula no esquema foi
descrito pelo ex-senador Delcídio Amaral (sem partido, ex-PT-MS) em colaboração
fechada com o Ministério Público Federal (MPF) depois de ser preso.
O
ex-presidente disse que fica chateado com “ilações” do ex-senador Delcídio e
declarou que, se há um brasileiro que “deseja a verdade”, é ele próprio.
Explicou que não tinha nenhum motivo para temer as declarações do ex-diretor e
que o ex-congressista era quem, na verdade, tinha uma “relação histórica” com
ele.
“Certamente,
depois de preso, as pessoas procuram um jeito de sair da cadeia e botar a culpa
nos outros”, justificou, em referência a Delcídio.
Lula
disse que tinha uma relação institucional com Delcídio, que era líder do
governo no Senado. Alegou que nunca tratou a situação de Cerveró com o
ex-senador, embora o assunto Lava Jato possa ter surgido.
“Lava
Jato, no Brasil, a gente fala no café da manhã, no almoço, na janta e depois da
novela.” Lula disse que não tinha conhecimento do empréstimo feito por Bumlai,
tampouco do contrato da Petrobrás com a Schahin.
Lula
fez ainda algumas brincadeiras, mostrando descontração. Antes do início do
depoimento brincou com o juiz que o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) roubou uma
cadeira para conseguir ficar dentro da restrita sala de audiência. Já durante a
sua fala disse que recorria à Bíblia diante da quantidade de pessoas que usavam
seu nome "em vão". Quando a defesa de José Carlos Bumlai questionou
se uma ligação do pecuarista para Lula em 2015 seria para cumprimentar sua mulher
Marisa pelo aniversário, o ex-presidente não se conteve:
—
Ele ia nos aniversários. No dia 7 de abril tem ligação. É o mínimo que eu
esperava dele, que ligasse pra ela no aniversário.
Do
lado de fora um grupo de cerca de 50 manifestantes acompanhou a entrada e a saída
do ex-presidente aos gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro".

